domingo, 19 de novembro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 12

Dia 11 - 23 de Agosto

Plenitude ilimitada

O parque, que parecia super sossegado – não era ao pé de estradas e autoestradas, nem tinha muita gente – afinal tinha aviões a passar o tempo todo. Nem tudo é o que parece, mais uma vez a lição repete-se. Mesmo assim dormimos tranquilos e adorámos a envolvência das árvores e da enorme lagoa de Veneza.

Vamos apanhar o ferry ás 8h da manhã, para podermos aproveitar bem o nosso tempo. O carro fica a descansar no camping porque o cais do ferry fica a uns escassos 500 metros daqui.

É encantadora a aproximação à romântica cidade cuja riqueza histórica se perde no tempo. Já tinha vindo aqui, mas de comboio por isso desta vez é como se fosse a primeira. Muda-se a perspetiva, muda tudo.



Uma das peculiaridades de Veneza é que não há veículos terrestres, nem sequer não motorizados. Nada. Toda a gente se move a pé, incluindo os carros do lixo que são puxados pelas pessoas que param em cada loja e prédio para recolhê-lo.

E nós queremos ver o máximo possível por isso há que caminhar muito e não devagar demais.
Como chegámos cedo ainda não há muitos turistas, mas há muitas pessoas a caminho do trabalho. É como outra cidade qualquer em que as pessoas vão com pressa para cumprirem os seus afazeres laborais e temos o privilégio de ver que apesar do romantismo deste lugar, o dia-a-dia dos locais é semelhante ao dos outros por onde temos passado. Vive aqui imensa gente! Ainda bem que não há veículos.



Apreciamos as ruas, as pontes e canais, as praças e pracetas, os monumentos e galerias de arte e em nenhum lugar encontramos um jardim. Uma senhora passeia os seus 3 cães que se acercam do canteiro de uma árvore para poderem sentir a terra e aí fazerem as suas necessidades e nós aproveitamos para descansar um pouco num banco ao lado da árvore, observando a senhora com os cães e outros episódios da vida citadina.







Eventualmente chegamos à Praça de S. Marcos com a sua grandiosa catedral. Decido abraçar o lado artístico deste portentoso monumento que como tantos outros mostra a capacidade criativa imensa do ser humano quando inspirado pelo divino.







Não se paga para entrar!!!!! Quando nos damos conta disto pomo-nos logo em fila. Ficamos espantados como é tão curta. Passados uns 5 minutos já estamos lá dentro. Uma senhora faz-me comprar por 50 cêntimos uma espécie de pano branco para cobrir os ombros. Não estou de alças mas sim de cavas, pelo que há que cobrir o corpo em sinal de pudor. Aceito e respeito estes costumes, por mais absurdos que me possam parecer e sigo com a coberta branca. No final vou guardar para servir de pano para piqueniques J

Ainda que respeite e aceite os usos e costumes de cada local não posso deixar de referir que um Deus que se apregoa ser completamente Amoroso e Compassivo para com os seus Filhos, não poderia encontrar mácula nuns braços nus, ou em qualquer outra parte do corpo, diga-se, pois se tudo foi criado à Sua imagem e semelhança, como a própria Bíblia o diz, quando muito amará os corpos que criou e celebrará a Vida que neles corre, nus ou vestidos, pouco importa.

Já para não falar no papel fantástico dessa criação chamada Pudor no aprofundar da suas irmãs Vergonha e Culpa, trio através do qual se consegue manipular o comum dos mortais a acreditar no Castigo Divino e assim a assentir a um sem fim de atrocidades que em nome do Pudor se têm cometido, não só no seio da religião Católica.

Bem, mas passemos adiante.

Lá dentro não se podem tirar fotos, apenas absorver o esplendor com os olhos. E assim fazemos, honrados por estarmos aqui. 

Há tanta gente!!!! 

Não admira, pois para além de não se pagar a entrada este sítio é mesmo muito lindo.

À saída vemos que a fila dá a volta ao quarteirão e ficamos sem saber como foi possível que ela só tivesse crescido depois de nós podermos entrar em 5 minutos, mas pouco importa. É apenas mais uma magia do dia.

Hoje escolhi viver em Compaixão, em Aceitação plena e entrega à minha Essência. E assim tem sido.




As Gôndolas que se passeiam pelos canais, ou que estão simplesmente paradas a convidar os turistas a aconchegarem-se nos seus confortáveis assentos, deliciam-nos, tal como as fachadas dos edifícios, o mercado dentro e fora de água, o barco dos correios, o barco ambulância, o barco das mercearias… 









Veneza é um pitoresco desfile de momentos únicos que faz jus ao romantismo que a fama lhe assiste.




Ao cabo de uns 10 km e umas 3 ou 4 horas de passeio temos que decidir se almoçamos por aqui ou se apanhamos o barco de regresso.

O apelo de almoçar em Veneza ganha e escolhemos um snack que vimos no caminho de chegada, numa rua mais afastada do centro, onde servem pratos italianos, pizzas e uns mini wraps (não é assim que lhes chamam mas não tomei nota do nome e é uma coisa que só eles fazem). Escolhemos isso e umas beringelas cobertas com tomate e queijo e mais uma sandes. O senhor pergunta-nos se queremos beber alguma coisa e decidimos tomar uma cola e uma 7Up. No final, quando vem a conta, reparamos que apesar dos preços da comida serem razoáveis aqui, cada bebida custou 4€! Devíamos ter pedido a carta das bebidas com o preço. Mas agora é tarde e estamos satisfeitos na mesma.



E ainda temos o privilégio de ouvir este senhor com a sua arte



Há barcos de meia em meia hora pelo que apanhamos o próximo e vamos vendo a enorme cidade a afastar-se, conforme passamos por várias outras ilhas, muitas delas dormitórios, como os que orlam
qualquer grande cidade. E ninguém tem carro. 



Questiono-me como fazem quando querem ir para outros lugares fora deste microcosmos. Há transportes, claro, mas por vezes isso não é o suficiente.

Bem, estamos de volta ao camping – são umas duas da tarde. Temos ainda tempo para tomar um bom duche e arrumar bem o nosso super veículo.

Hoje vamos até Cremezzano em San Paolo, onde o nosso amigo Luigi Pescini nos vai receber na sua casa, mas antes ainda queremos passar por Pádua e Sirmione.

Por Pádua acabamos por passar apenas de carro e seguimos caminho. 

Chegamos a Sirmione por volta das 18h. Está um corrupio de gente por todo o lado! É uma estância de férias à beira de um lago giganterrimo e lindissimo também – o Lago di Garda na região da Lombardia. Este lago é o maior da Itália, tem uma área de 370 km2 (mais de 50 km de comprimento) e chega quase aos 350 m de profundidade, tendo nascentes de águas termais quentes que abastecem os spas de alguns hotéis locais. Os alpes circundam algumas das suas margens e a paisagem é absolutamente maravilhosa, bem como o azul da sua água cristalina. Ficamos rendidos.


Acabamos por decidir ir fazer um passeio de barco – o segundo do dia – em volta da península de Sirmione, para podermos desfrutar plenamente deste tesouro natural. O marinheiro indica-nos diversas curiosidades, de entre as quais a casa de Maria Callas, factos históricos e outros geográficos. No barco vão alemães, duas senhoras francesas e alguns suecos, para além de nós, por isso o senhor tem oportunidade para mostrar a sua perícia ao ter que falar em 3 línguas consecutivamente.






Hoje tem sido um dia tão pleno de beleza que estamos transbordantes de Vida em toda a sua profusão. 

Não quero deixar de celebrar o facto de estar neste lugar magnífico sem ir ao banho! E vou. Depois da nossa viagem de barco, quando já todos se forma embora da praia fluvial, lá vou eu, banhar-me nesta água fresca e macia… tão macia. Que deleite!



Já o sol vai bem baixo no horizonte e temos que ir até casa do Luigi que não fica muito longe daqui. Por isso toca a vestir e seguir caminho.

Chegamos já de noite e somos recebidos com muito carinho. A casa é muito bonita e confortável e hoje vamos dormir numa cama com um excelente colchão (não é que nos outros dias também não tenha sido este o caso).

Conversamos, rimos, partilhamos até que temos mesmo que ir dormir pois o dia foi longo e intenso e agora nada melhor que um bom descanso para integrar tudo o que hoje recebemos – tanto que não haveria forma de converter tudo isto em euros ou dólares…

Ainda não te disse, mas está um calor imenso! Tem estado, aliás, ao longo de todos estes dias, mas hoje mais ainda. Vamos ter que dormir com a janela aberta… E há um sino da igreja que toca todos os quartos de hora!!!! Oxalá o sono nos embale de tal maneira que o sino se dissipe no seio dos nossos sonhos.

Aqui vou eu, mergulhar no vale encantado dos lençóis serenos.


Até amanhã!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 11

Dia 10 - 22 de Agosto


Abundância de todas as formas e sabores


Acordamos cedo como queríamos. O movimento da cidade já começa a despertar, mas ainda com a calma do início do dia a aligeirar-lhe os passos, saudosa do silêncio noturno.

Aqui limpam as ruas por dias da semana, ou seja, cada rua tem uma placa a dizer quando vai passar o carro lava estradas, avisando os condutores que não devem deixar a sua viatura nessa rua das x ás x horas de quartas por exemplo. Ouvimos passar o carro das limpezas e sabemos que é bom momento para nos prepararmos para sair.

Hoje escolho a Confiança e Entrega total à minha Essência para desfrutar desta cidade majestosa com tanta história, arte e beleza a sussurrar em cada rua.

O sol da manhã empresta a sua luz alaranjada ás fachadas dos monumentos, dando-lhes uma aura ainda mais especial. 

O Duomo é realmente magnífico. Questionamo-nos se não terá sido inspirado no Taj Mahal, pelo trabalhado em mármore que cobre as suas paredes. 





Cidade após cidade vamo-nos deparando com estas catedrais imensas e é ao mesmo tempo fascinante e assustador que uma religião, a católica, tenha conseguido trespassar todos estes países da Europa por onde estamos a viajar, de forma tão forte e ostentosa. Uma religião que por um lado teve (e tem) missões um pouco por todo o mundo, implementando campanhas para cuidar dos mais necessitados, aproveitando para lhes impor uma nova fé, e que por outro criou monumentos de luxo extremo, com custos exorbitantes que poderiam ter sido distribuídos eventualmente de forma mais unânime. 

Seja como for compreendemos a filosofia por detrás disto: a de que a "Casa de Deus" tem que ser abundante em sua honra, ainda que um Deus magnânimo não possa ser seduzido por coisas materiais.

Por falar em coisas materiais, outra coisa incrível de que nos damos conta ao longo desta viagem é da imensa força sedutora do consumismo. É como se as montras das lojas tivessem "pega monstros" invisíveis que se colam ás pessoas puxando-as para dentro desses espaços para comprarem, comprarem, comprarem, tirando-lhes a capacidade de discernimento sobre o que é realmente necessário e levando-as a adquirir um sem fim de coisas, mais ou menos úteis mas eventualmente não essenciais. 

A sociedade de consumo é uma máquina tão bem engendrada que para nos mantermos a salvo da sua manipulação temos mesmo que chamar-nos constantemente ao nosso Centro, à nossa Presença, discernindo momento a momento o que é necessário, para nós (cada um decide por si), e o que é supérfluo. E com isto tudo questionamo-nos quantas dezenas, até centenas de anos levará a mudar este padrão instituído, extremamente poluente que a Terra já mostra sinais muito visíveis de não poder sustentar mais. Tratar-se-á de uma gigantesca revolução no tecido social, económico e político, sem dúvida – revolução essa que já está em marcha por detrás das cortinas da sedução do império económico baseado no consumo desmedido. Surgirão, como estão a surgir, novas formas de subsistência, novas formas de troca e até novas moedas livres, novas comunidades de partilha de saberes e produtos, novos valores… Enfim, um mundo gradualmente novo… mas antes não creio que esta imensa máquina hipnótica instituída dê tréguas sem alguma luta pelo meio.

Isto tudo para dizer que por todo o lado onde passamos há lojas e mais lojas com toda a espécie de coisas, umas lindas outras nem tanto e nós, na nossa Eco Trip, apreciamos as montras como se fossem também elas galerias de arte que nos enchem o olhar sempre com admiração pelo engenho criativo dos nossos companheiros humanos. Transbordamos de gratidão por podermos apenas apreciar sem nos sentirmos impelidos a possuir, deixando cada criação livre no seu esplendor, como os pássaros no céu azul.

E se há criatividade aqui!!!!! Florença é fabulosa! Do início ao fim e do fim ao início. Não há rua por onde passemos que não tenha algo especial para nos encantar, seja contemporâneo ou secular. 







E eis que paramos à montra de uma pastelaria para mirar com deleite os bolos únicos que lá se encontram. O pasteleiro criou um bolo especial chamado “Ode to Women nr 10” – com texto próprio e tudo. Este vale as calorias de certeza! Antes de comprar um bolo, que é em si vazio de nutrientes, pergunto-me sempre se o prazer que vai dar comê-lo compensa as calorias ocas. E se for delicioso, compensa com certeza, porque deixa de ser apenas um bolo e passa a ser uma obra de arte comestível, para agradecer e apreciar uma pequena dentada de cada vez. Assim também nutre. As calorias transformam-se num bálsamo de gratidão que invade o corpo com Amor da cabeça aos pés.







Depois de uma grande volta a pé por Florença, deliciados por dentro e por fora, voltamos ao quarto para tomar um bom banho e fazemo-nos ao caminho. O nosso objetivo é chegar hoje a Veneza. O nosso querido “Romeu” – é assim que chamo o meu carro (mais à frente, num outro dia, conto-te porquê) – está intacto, sem multas e ansioso por nos levar para mais lugares magníficos. Este carro tem um dom especial desde o primeiro dia que veio para as minhas mãos. É o dom de me levar a sítios absolutamente maravilhosos! Estou profundamente grata.

E já agora conto-te que a rua onde ficámos hospedados é afinal uma daquelas ruas que todas as cidades grandes têm, onde as grandes marcas como Prada, Gucci, Yves Saint Laurent, Dolce & Gabanna... etc... etc... têm as suas lojas exclusivas com coisas que custam pelo menos 20 vezes mais que em qualquer outra loja, mas que são apreciadas precisamente pela sua exclusividade. Ficámos numa rua de Luxo :) Um contraste cómico com as nossas dormidas na car-van nas estações de serviço em que não nos sentimos menos Abundantes que aqui. A Vida na Terra é uma miríade de contrastes deliciosos. 



 ***
Longo. O caminho é longo e sinuoso. Lento. Demoramos horas para fazer uns poucos quilómetros. E está calor. Mas passamos por lindos lugares.



Vamos seguindo. Forlí é uma das cidades por onde passamos. Sem grandes paragens mas dá para ver que é bonita.

Temos que refrescar. As picadas das melgas que nos têm fustigado aqui na Itália só agora se começam a manifestar. É uma comichão louca! E o estranho é que as melgas em Portugal já não me fazem comichão, nem sequer me picam com frequência. Mas estas são ferozes, pequenas e listadas. Enfim, são medalhas da viagem J

Já estamos fartos de andar de carro. É final da tarde e decidimos ir à procura de uma praia ainda antes de chegar à lagoa de Veneza. Passamos pelo rio Pó e escolhemos a praia de Rosalina Mare.

Pagamos 1 euro de parque e dirigimo-nos para a areia. Antes de lá chegar há uma espécie de bilheteiras que ignoramos. Mas logo percebemos porque lá estão. É que tal como em Viareggio aqui também há chapéus e espreguiçadeiras pagas, mas desta vez é como no cinema – têm fila e lugar numerado e pode-se estar na praia na mesma, mas sem chapéu, a não ser que seja alugado. Quando chegamos à beira-mar deparamo-nos com uma água castanha e pouco apelativa pelo que decidimos afinal não ir ao banho.

Seja como for ficámos a conhecer mais um sítio diferente. É sempre bom ver usos e costumes diversos.

Paramos mais à frente, debaixo de umas árvores, nuns bancos de jardim com mesa para comer uns pedaços de melancia – Baby Anguria (melancia bebé em italiano). Têm aqui umas melancias miniatura super gostosas. O que não é tão gostoso são as melgas! Outra vez!

Já falta pouco para Veneza!!! Nota-se. O trânsito intensifica-se.

Começamos a ver umas indicações para o ferry e camping. Para esta noite tínhamos pensado dormir na fantástica “car-van” mas não há grandes condições para isso por aqui. Por isso, em vez de seguirmos o caminho todo até Veneza decidimos sair para onde diz Ferry e irmos até lá de barco. Assim ao menos sempre andamos de barco em Veneza porque de gôndola não vamos andar de certeza. É um custo que não se justifica na nossa eco-trip.

Chegados ao lugar do Ferry, que se chama Fusina, percebemos que já é tarde para aproveitarmos a viagem até Veneza e então vamos até ao camping saber das condições. São 35€ por uma noite mas podemos sair até ás 19h do dia seguinte. Optamos por dar o dia por terminado que já estamos cansados e a precisar de refrescar, agora na água límpida do chuveiro, uma vez que o mar não era apropriado para os nossos corpos habituados ao oceano atlântico.




O camping tem pouca gente, árvores bem grandes, relva e imenso espaço. Foi uma boa opção. E dá para ver Veneza lá ao fundo, sob a luz rosada do pôr-do-sol. Uma linda forma de acabar um dia intenso.