segunda-feira, 30 de outubro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 9

Dia 8 - 20 de Agosto 


Presença


Hoje escolho Presença. Não é que não o faça todos os dias, claro. Mas o meu propósito com estas escolhas diárias tem a ver com o foco em diferentes formas de experienciar Ser no meu dia-a-dia humano, ainda que todas as qualidades que tenho vindo a expressar como escolha do dia estejam presentes em cada momento pois são parte intrínseca de ser consciente.

Partimos hoje à descoberta da famosa Cote D’Azur e cedo descobrimos que agosto é provavelmente a pior altura do ano para passar por aqui.

O trânsito intenso faz lembrar carreiros de formigas incansáveis, sempre em movimento, milhares no mesmo trilho.

A beleza azul turquesa deste mar é de facto ímpar e compensa a lentidão da viagem. Ainda assim, para quem vem de um Portugal riquíssimo em praias soberbas, tamanha azáfama em torno de um mar azul não tem grande propósito que não o de apreciar mais um encanto da natureza, sobrepovoado pelo estrelato. É como uma Diva que todos querem ver e tocar.



Chegamos mesmo a conseguir um “autógrafo” quando paramos numa pequena praia chamada Venice Beach para nos sentarmos com a nossa granola e iogurte líquido. Molho os pés, grata e fresca, pronta para prosseguirmos.



St Tropez era um destino por onde tencionávamos passar, mas a partir da rotunda onde se sai para St Tropez a fila é compacta e decidimos riscar esse destino do nosso itinerário.

Devagarinho acabamos por chegar a Nice, onde procuramos a Promenade des Anglais, um longo e largo passeio à beira-mar.

Vemos uma cascata lá no alto e decidimos procurar o parque onde se encontra, para fazermos a nossa salada do dia.

Encontramos parque grátis e seguimos a pé monte acima. Subimos, subimos mais um pouco e continuamos a subir até que encontramos um sítio sossegado que nos agrada. Apesar do calor, a água que corre pela rua abaixo refresca o ambiente e faz-nos sentir límpidos e serenos, largando o cansaço da longa viagem até aqui.

Estas nossas refeições ao ar livre, preparadas com gratidão e carinho e na máxima simplicidade, poupando recursos e abrindo novas combinações de texturas e sabores, trazem-nos tanto com tão pouco! É a liberdade de não termos que seguir os horários de ninguém, de podermos escolher onde e como preparar o nosso repasto. É o equilíbrio dos alimentos, grande parte deles crus e cheios de sabor, leves e nutritivos. É a simplicidade, a sustentabilidade e a naturalidade da nossa partilha. Muito mais do que apenas mais uma refeição.

Hoje aparece um grupo de quatro jovens, 3 rapazes e uma rapariga, namorada de um deles. Trazem música – uma espécie de chill out que inspira e acalma ao mesmo tempo. São praticante de Parcour e ensaiam algumas proezas para nosso deleite, colorindo a nossa refeição do almoço, que obedecendo aos padrões comuns seria o lanche, dado o adiantado da hora.

O curioso é que uma cidade tão grande à beira do oceano azul seja tão tranquila. Um apontamento de serenidade num dia que tem requerido de facto muita Presença, enquanto navegamos pelo mar de gente que povoa esta zona de França.



A nossa próxima passagem é pelo Mónaco, mas antes de lá chegarmos paramos à beira da estrada num local com vistas esplêndidas para que o Pedro possa despachar um trabalho que não pode esperar e eu aproveito para também dar conta dos meus mails, sentada de costas para a estrada barulhenta e de frente para o Paraíso imenso. A internet é uma dádiva mágica que nos facilita a vida, se for essa a nossa escolha.



Quando finalmente passamos pelo Mónaco, mais uma vez encontramos um lugar bonito, mas a sua fama deve-se com certeza mais ao que se passa dentro dos edifícios que não visitamos, do que à envolvente natural.

Entramos finalmente na Itália!!!! Vivaaa!

Fazemos o caminho pela costa na região da Ligúria e passamos por mais lugares superpovoados em que se torna difícil discernir onde acaba uma localidade e começa outra. As ruas e os prédios são menos limpos que em França e o trânsito é um pouco mais rebelde, para não dizer caótico. Mas se calhar é porque estamos cansados de um dia de marcha lenta e trânsito intenso.

Seguimos até à zona de Sanremo, onde entramos na auto estrada para procurar uma estação de serviço e dar o dia por terminado que são horas de descansar.

A nossa Presença encontra-nos um sítio confortável e sossegado que muito agradecemos e estamos prontos para mais uma noite na nossa belíssima “car-van” que hoje nos parece um Hotel de mil e uma estrelas.

Boa noite J


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 8

Dia 7 – 20 de Agosto


Confia!


Hum, que noite tão tranquila! Ficámos numa daquelas paragens em que há árvores e mesas e casas de banho mas esta é enorme. Tem um espaço muito grande, quase como um parque de campismo à beira da autoestrada. Até houve um casal que decidiu montar a tenda! Mas o ruído dos carros próximo dali não deve ter sido muito agradável porque de manhã cedo quando acordámos já lá não estão.

Há também gente a dormir em autocaravanas e claro camiões, mas esses ficam lá para cima. Não há é “car-vans”, pelo menos até agora. E também não há carros portugueses por aqui. Se calhar vem mais gente de avião que de carro nestas visitas alargadas pela Europa. 

Estamos prontos para mais um dia pleno de deslumbre e serenidade.

Para hoje escolhi experienciar o Amor da Essência em todas as coisas.

Tomamos a primeira saída logo após a paragem onde dormimos e a portagem é só 2,10€. Foi uma noite económica J Como aliás toda a viagem até agora. Ainda só gastámos 190€ para os dois, incluindo combustível. Este último depósito deu 1017 km, com uma média de 4.1 e 50 km hora e fizemos até agora 2000 km ao todo. Aqui em França temos andado quase sempre pelas nacionais, tirando esta ocasião em que entrámos na autoestrada para encontrar um sítio tranquilo, seguro e com boas condições para passar a noite.

O nosso próximo destino é Avignon – cidade linda à beira rio, com um não sei quê de medieval. 

Quando chegamos e vemos o casco histórico lá ao longe, encontramos uma ruela sem saída à sombra onde comemos uma das nossas saladas e depois vamos à procura do nosso parque grátis que acabamos por encontrar, claro! Nem sempre, mas por enquanto mais vezes que não. Temos é que andar um bocadinho para depois chegar aos centros históricos, porque os parques grátis ficam a pelo menos um ou 2 km desses lugares. Assim vamos sempre desemperrando as pernas.





Mais e mais ficamos entregues à confiança de que realmente tudo o que precisamos aparece no momento certo. Sabemos que assim é, sentimos que assim é e constatamos que assim é.

Depois de Avignon decidimos fazer o circuito dos campos de alfazema, ainda que o verão não seja a melhor época para isso, mas arriscamos e seguimos para Sault, dando a volta Gorde para depois chegar a Aix-en-Provence. 

A alfazema já foi colhida, mas a região não deixa de ser deslumbrante. E o aroma a alfazema perfuma todo o nosso caminho. Quilómetros e quilómetros perfumados! Imagino a vista magnífica dos campos lilases. Será decerto algo memorável.

Mas olha! Ali à esquerda está um campo que não foi colhido!!! Como fica próximo de uma quinta onde fabricam artesanalmente essência de alfazema, devem ter deixado este campo por apanhar, para saudar os visitantes. Iupiiii!


Deleitarmo-nos por estas paragens é um festim para os sentido. O olhar encantado, o olfato extasiado e até o paladar docemente agradado, mesmo sem ingerir nada. Que plenitude! O Amor da Essência está literalmente aqui <3 mas não só da Essência de alfazema...

Em Aix-en-Provence, também muito bonita, compro um sabonete de alfazema porque o meu frasquinho de gel de banho ficou no primeiro chuveiro, aquele da estação de serviço que até tinha chuveiro de água quente! Deve ter sido com a alegria do banho... a mente ficou de folga ;) Junto com o sabonete vem um saquinho de alfazema para perfumarmos o carro com este dia inesquecível.

Passamos de seguida por Marselha mas entramos por um bairro étnico cheio de lixo, lojas pobres e sujidade nas paredes, muito trânsito e confusão generalizada de gente por todo o lado e percebemos que chegámos a uma grande capital de distrito ou algo do género. Demasiado urbano para mim, para nós. Passamos por dentro da cidade só de carro, decidindo não parar. Queremos sair daquela confusão. É de certeza hora de ponta e tudo aqui está em direta oposição com o resto do dia. 

O sol já vai baixando e urge encontrar um sítio para pernoitar. Como estamos perto do mar há muitos campings, uns a seguir aos outros pelo que vamos andando até sentirmos que já chega.

Paramos num camping chamado Baie des Anges – Baía dos Anjos – mesmo apropriado para nos acolher. Dizem-nos que podemos ir ver os lugares X e Y e escolher qual queremos. E não é que o lugar que escolhemos até tem uma mesa de madeira com bancos?! Fantástico. É que nós não viemos carregados com essas coisas para deixarmos livre espaço para podermos converter a morfo-viatura. Seja como for, sabemos que temos sempre tudo o que é preciso por isso a nossa confiança oferece-nos sempre surpresas assim como esta. Gratos.

Depois de fazermos o check-in no camping, decidimos ir até à praia que fica a cerca de 1 km. Vamos a pé, claro. Mas parece-nos mais que um quilómetro. Chegamos mesmo quando o sol se está a começar a preparar para a descida rápida do final de tarde, em que todo o horizonte se começa a aperaltar de rosa para a noite de gala com a lua.

A praia não é de areia, é de pedras, grandes e redondas - não muito fáceis de trilhar. Mas mesmo assim não podemos prescindir de um banho de mar, para refrescarmos corpo e alma, especialmente depois de termos caminhado até aqui! E sabe-nos pela vida, este mar fresco e límpido. A praia chama-se Lloquet, e a imagem fica-me bem gravada na retina, por ser uma praia diferente, por ser tão bem vinda ao fim de um dia cheio de quilómetros e por ser especialmente bonita, com o seu vestido de entardecer rosa dourado.


De volta ao camping o banho quente é a cereja no topo do bolo! Coisas tão simples que nos conseguem preencher tanto que nem temos fome. Mas comemos umas peças de fruta e frutos secos com água da fonte que ainda temos do Alentejo e estamos prontos para uma noite com os Anjos, que camping com esse nome tem que os ter em abundância. 

É a nossa primeira noite na tenda, a nossa primeira dormida paga desde que saímos de Portugal, e paga com muita gratidão. Realmente a ideia de trazer dois colchões para cada um, daqueles que se dobram em três, foi genial. O nosso leito é digno de Rei e Rainha.

Simples, momentos simples, coisas simples que nos fazem transbordar de grata plenitude.



domingo, 8 de outubro de 2017

Money, Abundance... / Dinheiro, Abundância... Part 3

Money, Abundance, Happiness and Freedom - Part 3

Dinheiro, Abundância, Felicidade e Liberdade - Parte 3 


Why are we not always aware of the “Garden of Abundance” and why is it sometimes so elusive and hard to access – one more reason:

Porque é que nem sempre nos damos conta da existência do “Jardim da Abundância” e porque é que é tão fugidio e difícil de aceder – mais uma razão:

- Seeing only a fraction of it – like for example believing that it’s only money that counts and not realising that money is but a mere fraction of all that abundance is.

- Ver apenas uma fração do todo – como por exemplo acreditar que é apenas o dinheiro que conta e não termos a noção de que o dinheiro é uma mera fração do todo que é a abundância.

In fact, money has been around for a very short time, when we consider how old Earth is and was there by any chance no Abundance before money was invented?

De facto, o dinheiro foi criado há muito pouco tempo, se considerarmos a idade da Terra e será por acaso possível que não houvesse Abundância antes de o dinheiro ter sido inventado?

Capitalism has done a good job formatting us to believe in the whole structure it requires in order to thrive and it thrives best by creating a sense of lack that needs to be fulfilled, making us feel there is always something missing and there is never enough – thus making us crave for more all the time.

O capitalismo tem feito um excelente trabalho formatando-nos para acreditarmos em toda a estrutura que requer para poder viver saudável, e a sua saúde depende da criação de uma sensação de escassez que precisa de ser preenchida, fazendo-nos sentir como se houvesse sempre algo em falta e que nunca há o suficiente – fazendo-nos desejar mais constantemente.

Picture an orchard with many fruit trees. As it were, not all of them flower and bear fruit at the same time and not all years are good apple years, or lemon years or grape years. But there is always some kind of fruit, more than one kind of fruit bearing bountifully, so that we can rest assured that we always have enough of any given fruit.

Imagina um pomar com muitas árvores de fruto. Nem todas estas árvores dão fruto ao mesmo tempo e nem todos os anos são bons anos de maçãs, ou bons anos de limões ou de uvas. Mas há sempre algum tipo de fruta, mais do que um tipo de fruta, a produzir abundantemente, pelo que podemos ficar descansados com o facto de que teremos sempre o suficiente de uma qualquer fruta.

On the other hand, some years are extremely good apple or pear or lemon years. In these years there is so much fruit we don’t know what to do with it. We give It away, freeze it, process it, sell it – there is way more than enough.

Por outro lado, alguns anos são extremamente bons anos de mação ou de peras ou de limões. Nestes anos há tanta fruta que não sabemos o que fazer com ela. Damo-la, congelamo-la, transformamo-la, vendemo-la – há muito mais do que o suficiente.

But we can’t keep the fruit forever, even when it’s processed into jam, juice or frozen. It has a “best before” date. It has to be consumed or it will go bad. It doesn’t really matter though, because each year the trees bear more fruit, new and fresh fruit, be it one or another type, there is always more than enough when pooled together.

Mas não podemos guardar a fruta para sempre, mesmo depois de a termos transformado em compota, ou sumo ou congelado. Tem uma data de validade. Tem que ser consumida, senão estraga-se. Isto não tem grande importância porque cada ano as árvores dão mais fruta, nova e fresca, seja de um tipo ou de outro, há sempre mais do que o suficiente quando se reúnem todos os tipos de fruta disponíveis.

Focusing on money as the only source of richness in our lives is like expecting the apple orchard to bear bountifully forever. And trying to keep it all stashed away, for fear that it will run scarce sometime, is like keeping apple juice stored well past its “best before” date.

Focarmo-nos no dinheiro como a única fonte de riqueza nas nossas vidas é como ter a expetativa de que o pomar de maçãs dê fruta abundantemente para sempre. E tentar guardá-lo todo, por medo de ser escasso em algum momento, é como guardar sumo de maçã muito depois de ter passado o prazo de validade.

Being abundant, which in turn creates fulfilment – happiness – freedom, is something totally different. It is knowing, completely trusting that you shall always be provided for, knowing that energy serves you and your choices and it comes in multiple forms. Our task is to learn how to be thankful for peaches even when we were expecting plums and realizing that the peaches are actually perfectly appropriate now. Tomorrow, if we still need plums, they might possibly be available or there might be pineapples instead and those will be even better than plums.

Ser abundante, que por sua vez cria um sentimento de realização – felicidade – liberdade, é algo totalmente diferente. É saber, confiar completamente que terás sempre o que necessitas, saber que a energia serve todas as tuas escolhas e materializa-se de formas múltiplas. A nossa tarefa é aprendermos a ficar gratos pelos pêssegos mesmo quando estávamos à espera de ameixas e perceber que os pêssegos são perfeitamente apropriados agora. Amanhã, se ainda precisarmos de ameixas, poderão já estar disponíveis ou poderá haver ananases em vez disso, e podem até ser muito melhores que seria as ameixas.

Chances are that when you are steadily flowing, money will too – not necessarily by the millions, but more than enough for all that you need. Because all in all you possibly don’t need as much as you thought you did. If for instance you want to buy apples and don’t have the money for them but the apples show up instead – someone just has the bright idea of offering you a bag of apples – then the money for them isn’t necessary, today.

Quando estiveres entregue ao fluxo da vida o dinheiro também fluirá – não necessariamente aos milhões, mas mais do que o suficiente para tudo o que precisas. Porque no final das contas se calhar não precisas de tanto como pensavas. Se por exemplo quiseres comprar maçãs e não tiveres dinheiro para isso mas se as maçãs te aparecerem à frente de outra forma – por exemplo alguém teve a brilhante ideia de te oferecer um saco de maçãs – então o dinheiro para elas não é necessário, hoje.

Now of course, the idea is to turn the orchard metaphor into daily life and see where it applies, learning how to realise that the orchard is in fact much larger than it seemed and it has much more possibilities than you could see from the point of view of lack.

Agora, claro, a ideia é transformar a metáfora do pomar na sua aplicação prática no dia-a-dia e ver onde é pertinente, aprendendo a perceber que o pomar é afinal muito maior do que parecia e tem muito mais potenciais do que os que podias ver através do ponto de vista da escassez.

Gratitude is definitely the golden key that opens the door of illusion into the garden of abundance.

A Gratidão é definitivamente a chave de ouro que abre a porta da ilusão e nos permite aceder ao “Jardim da Abundância”.







sábado, 7 de outubro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 7

Dia 6 – 19 de Agosto


Lugares Remotos e Urbes Diversas


De manhãzinha cedo, devem ser umas 7h30, decidimos que já descansámos o suficiente.

Dormir na “car-van” torna-se cada vez mais confortável porque vamos descobrindo maneiras melhores de estender os colchões para podermos esticar as pernas completamente, como colocar as toalhas que usamos para tapar as janelas de um lado e do outro, deixando as janelas abertas o suficiente para circular o ar, como colocar os protetores para-sol à frente e atrás, como colocar as almofadas, enfim como dormirmos tão confortáveis como se estivéssemos numa cama perfeita – como a da Sara e como a que temos lá em casa ;)

Levantamo-nos felizes e em tom de brincadeira pergunto ao Pedro que ainda está a acostumar-se à ideia de que é hora de levantar o que deseja nesse momento e ele responde “os meus calções de banho”. Encontro-os imediatamente e pergunto: “mais alguma coisa Mestre?” ao que ele reitera “um duche quente”. “Hum, isso se calhar é mais difícil…”.

Reconvertemos a “car-van” em ligeiro de passageiros e verificamos que tal como prevíamos ficou cheio/a de poeira, um pouco por dentro mas mais por fora. Quando houver oportunidade paramos num “car wash” algures por aí.

Agora é a nossa vez. Prontos para um banho de mar cristalino – uma das coisas especiais que tem esta zona da Costa Brava é a água completamente transparente – aí vamos nós. Não se pode dizer que esteja muito fria, mas quente também não está. No entanto sabe tãaaaaao bem esta água macia! Purificante e revitalizante este banho de mar.



 Esta prainha tem um chuveiro para podermos passar-nos por água doce. E nem imaginas a coisa mais incrível!!! Carrego no botão e sai água quente! É um chuveiro de água quente! Na praia! Nunca tinha visto uma coisa assim. E afinal o Pedro recebe o seu desejo J Não há nada como começar a brincar com as Escolhas Conscientes. Tudo passa a ser literalmente possível até prova em contrário em vez de ser o inverso (impossível até prova em contrário). É uma inversão total de perspetiva. 





Adorooooooo! “Pede e receberás.”

A minha escolha para hoje é: simplicidade, facilidade e fluxo. E assim começa.

Não costumamos comer logo de manhã e hoje também não nos apetece. Sentimo-nos tão nutridos com o banho de mar, com a magia do banho quente, com o ar puro que aqui se respira, com a leveza de não termos planos fixos, horários e obrigações que a fome é algo que não nos atormenta.

A nossa primeira paragem é em Port Lligat, onde está a Casa Museu Salvador Dalí e o barco em que ele e Gala costumavam fazer longos passeios pelas baías desta costa. Muitos momentos de amor forma vividos aqui, muitos verões plácidos, em retiro de tudo e de todos. 





Sente-se no ar essa atmosfera amorosa e serena, esse quê de remoto onde parece que o resto do mundo não existe.

Tudo isto é tão lindo que nem as estradas cheias de curvas me conseguem atordoar. Costumo, costumava, ficar nauseada quando era conduzida por estradas com muitas curvas – não quando era eu própria a conduzir. Desta vez, porém, não sinto nada disso. Sinto-me enleada com as curvas, da mesma forma que as rochas se enleiam com o mar e ao contrário do que pensava que iria acontecer, não reclamo. Cada momento é um momento novo e o passado não me determina.

Vamos a caminho de Cap de Creus que a Sara recomendou vivamente. Quando chegamos ao cabo, com o seu farol lá no alto, o vento forte a brincar com a vegetação rasteira, percebemos o porquê da sua veemência. É um lugar, mais uma vez, remotamente encantador. Não há aqui cidades, aldeias, nada. Nada para além do mar imenso, das escarpas íngremes e das prainhas minúsculas de água azul transparente. Adoro este vento. Limpa-me o Corpo e a Alma.



Ficamos algum tempo a apreciar, a respirar, a absorver a força deste lugar.

Seguimos para El Port de La Selva, lindo também e a próxima paragem é Portbou, já em França. 

Continua a falar-se catalão aqui, mas francês também, claro.

Decidimos sair da costa e tomar o rumo de Narbonne, passando por Perpignan sem parar. 

Em Narbonne encontramos parque grátis e a entrada para Catedral também o é. Ficamos agradavelmente surpreendidos, pois na Catalunha espanhola os ingressos nos monumentos eram todos pagos, pelo que vimos muitos por fora apenas. De todo modo não teríamos tido tempo para vê-los todos por dentro! São tantos.




Na Catedral em Narbonne há um órgão imponente. Deve ser uma relíquia quase inexistente no resto da Europa. Fico curiosa. Que som fará?




A cidade é muito bonita e decidimos que vamos tomar aqui o pequeno almoço tardio, naquele jardim ali em cima. Iogurte líquido com a granola natural do mercado das Caldas. Já não vamos com certeza almoçar depois deste repasto docemente reconfortante. O lugar que escolhemos tem um lago com patos e a sombra sabe-nos vem. Está calor. Tem estado sempre, desde que saímos de casa em Portugal.



Depois de muito passeio por Narbonne é hora de mais uma estirada até Montpellier. É uma cidade portentosa, com muitas histórias para contar, decerto. Damos uma voltinha pelo centro e depois decidimos comer o nosso jantar – são umas 17h30. Deixamos o carro num sítio onde se paga mas a máquina está avariada. Confiamos e dirigimo-nos para o jardim.

Lugar interessante onde passamos por um grupo de jovens a curtir um transe de música psicadélica, outros a tocar guitarra e ainda outros a tocar djambé. Muitos jovens de diferentes etnias, estilos e preferências. Uma cidade com muita emigração e em franca expansão, é o que vemos e sentimos.


Para o jantar comprámos um folhado de pizza a que juntamos um pouco da nossa salada. Ficamos saciados. É tão libertador não sentir necessidade de comer grandes refeições e podermos comer ás horas que nos apetece, só quando sentimos alguma fome.

Ao fim de cerca de uma hora saimos de Montpellier e decidimos tomar a auto-estrada para Avignon para podermos dormir na nossa “car-van” numa estação de serviço boa. E é mesmo isso que encontramos. A nossa intenção não é fazer o caminho todo pela auto-estrada, mas sim sair de manhã na próxima saída depois desta estação de serviço onde vamos dormir e seguir pela nacional.

Por incrível que pareça este lugar é mais sossegado que o parque de estacionamento na remota Cadaqués e sabemos que vamos dormir tranquilos.

A mesma lição de ontem: “nem tudo é o que parece”.


Sonhos cor de mar e terra perfumada de verde e flores. Até amanhã.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 6

Dia 5 – 18 de Agosto 2017


Inspiração


Hoje é dia de seguir para Figueres e mergulhar na magnífica arte surrealista de Salvador Dali, mas antes disso as despedidas da Sara que nos acompanha até ao carro, triste porque já vamos mas feliz por termos estado. Gratos estamos todos e sabemos que os corações não têm fronteiras.

Vemos mais uma vez aquele sinal que diz “Solo Turismos” e perguntamos o que quer dizer, e sabes o que é? Só Ligeiros! A diversidade semântica dos idiomas fascina-me.

Antes de Figueres escolhemos passar por Girona e… parque à sombra. Perfeito. Girona é lindo, com os seus recantos, pátios e ruas antigas extremamente bem conservadas. Um gosto para o olhar.




Está na hora do nosso próximo encontro – desta vez com Dalí.

Em Figueres, mais uma vez temos a nossa magia a servir-nos com o parque grátis.

 O Museu/ Galeria de Dalí é um festim de fascínio artístico do início ao fim e em todas as entrelinhas.




 O meu coração está tão deliciado com a energia criativa que jorra de todos os recantos, paredes, tetos e até do chão deste espaço fora do tempo que me sinto envolvida por um imenso oceano de gratidão, misturado com paixão, inspiração e uma alegria transbordante.



Esculturas, pinturas, joalharia, fotografia, montagens por corredores, salas, andares, lugares iluminados por algo que ultrapassa a mente e que por isso a cala, suspensa por longos instantes num limbo de incompreensão que só o coração consegue conceber.



Do mais preciso, ao mais abstrato, do mais mundano ao mais precioso, na arte de Dalí tudo é permitido, incluindo a excentricidade da sua figura. O próprio amor obsessivo por Gala, a sua musa constante é excentricamente belo e intangível.





Doem-me, doem-nos os pés… já andamos aqui há mais de duas horas, mas ainda assim queremos apreciar tudo. É como se os nossos olhos estivessem em transe com tanta beleza, não querendo perder um só detalhe deste tesouro que nos alimenta a alma.

Estou plena, cheia de Ser, como se tivesse estado a fazer amor. Um amor intenso mas delicado, durante toda a tarde!

Pés doridos, algum cansaço mas satisfação total.

A minha escolha para hoje foi/é: Eu Sou e Estou viva, experienciando a beleza e bem-aventurança da Essência. E até agora, não poderia estar a viver a minha escolha de forma mais apropriada.

Há alguns anos, quando comecei a sentir e a escolher como realmente queria viver a minha vida aqui na Terra a escolha foi: viver em plena união do Humano com o Divino, apreciando e respeitando toda a majestosa beleza da Terra, quer sob a forma Natural, quer sob a forma de arte, de toda a arte inspirada no infinito lago de Ser que nos une e nutre. E tenho isso na minha vida hoje. Tudo o que escolhi. 

Grata e plena, Sou.

O próximo encontro é com Cadaqués, uma pequena vila à beira mar.

Bem, vamos. 

Mas antes de Cadaqués ainda temos encontro marcado com o meu amigo Angel Estois que também já não vejo há uns anos. Fiquei em casa dele em 2011 quando vim a Barcelona com as minhas amigas Luísa e Filomena dar dois workshops InPassion. Recordo-me que foi nessa viagem que comecei o livro Não Apenas Mais um Livro Sobre o Amor – O LIVRO sobre o AMOR que publiquei em Março de 2012. O interessante é que agora estou a criar a nova versão deste mesmo livro que mudou de título. Agora chama-se SER!... Amor – Para Além da Ilusão e revejo o Angel próximo de Barcelona.

 Ele está agora a passar férias na casa de verão dos pais, na Costa Brava, mais precisamente em Roses. Nestes últimos anos esteve no desemprego por já não se identificar com o trabalho de assistente social e educativo que fazia e agora não sabe muito bem o que vai fazer, mas uma das hipóteses é precisamente dedicar-se à escrita. Descobriu o gosto e o talento para esta arte quando tirou 3 meses para viajar sem rumo certo, indo parar à Nova Zelândia e aos EUA com muitas histórias para contar.

A caminho de Roses passamos por Empuriabrava, à procura de um sítio agradável para comermos o arroz de bacalhau que a Sara preparou ontem à noite para nós e QUE DELÍCIA! Somos muito privilegiados por termos à nossa frente este saboroso repasto. Mais uma vez, obrigada Sara!

Empuriabrava é um lugar muito diferente. É uma espécie de Delta em que a água entra terra adentro e em que criaram umas ruas de água onde cada casa tem o seu barco. Uma Veneza contemporânea onde ter barco é tão importante como ter carro. Ainda bem que passámos por aqui, pois é bem incomum este lugar.

Chegados a Roses, partilhamos experiências durante cerca de uma hora na esplanada junto à praia de Roses, gratos pelo reencontro e depois seguimos o nosso rumo que o sol já se quer pôr por detrás dos montes.



Sob os tons rosa de fim de tarde, Cadaqués ergue-se graciosa, caiada de branco, orlando uma baía encantadora onde o mar sereno beija as rochas. Afoitos aventuramo-nos pela rua principal, descartando o conselho do Angel de encontrarmos algum lugar logo à entrada da vila. A nossa ideia para hoje é dormirmos na “car-van” algures por aqui.




Passamos lentamente pelo centro aninhando num vale, abraçando a baía e conforme a noite cai e as luzes brilham nas ruas e janelas, a vila ganha ainda mais encanto. O Guillem, aquele amigo com quem estivemos ontem em Arenys de Mar, bem nos disse que se vínhamos para estes lados não podíamos deixar de visitar Cadaqués.


Depois de passarmos pelos restaurantes, bares, cafés, lojas e vivendas chegamos ao outro lado da baía e encontramos um parque amplo de terra batida onde há muito espaço para pernoitarmos. E fica mesmo junto a uma prainha que tem um chuveiro. Vou mergulhar neste mar logo pela manhã, com certeza. Não posso prescindir desta água cristalina.

Vamos dar uma volta a pé até ao início da vila e retornamos calmamente, gelado apreciado, sumo degustado, prontos para montar o “estandarte”.

Está uma certa ventania, o que quer dizer que pelo menos calor não vamos ter. Por outro lado a poeira que o vento levanta promete fazer das suas. De manhã logo se vê como está o carro.

Prontos para uma noite descansada neste lugar encantado… enganamo-nos. Afinal não fomos os únicos que tivemos a ideia de vir pernoitar aqui. Chega um grupo, depois outro e ainda mais um e outro e todos fazem um certo “basqueiral” que nos soluça o sono. 

Enfim, respiramos, pacientes, largando o barulho lá de fora e mesmo sem conseguir adormecer profundamente aproveitamos para descansar que hoje o dia foi bem longo e os pés estão sequiosos de sossego.

Lição 1 mais uma vez: nem tudo é o que parece ;)


Até amanhã! 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Money, Abundance.../ Dinheiro, Abundância... Part 2

Money, Abundance, Happiness and Freedom - Part 2


Dinheiro, Abundância, Felicidade e Liberdade - Parte 2


Remember the Garden of Abundance and its infinite flowers or all kinds? (click to reread)


Lembras-te do Jardim da Abundância e da quantidade infinita de flores de todos os tipos que aí existe? (clique para reler)

We were exploring why we are not always aware of it and why it is sometimes so elusive and hard to access.

Vamos continuar a nossa exploração de porquês. Porque é que nem sempre nos damos conta da sua existência e porque é que é tão fugidio e difícil de aceder.

Here is one more reason:

Aqui fica mais uma razão:

- Not feeling worthy of it. Do you believe and feel that you deserve to access Abundance, be it in whatever form it is?

- Não nos sentirmos merecedores. Acreditas e sentes que és merecedor de Abundância, seja sob que forma for?

I’ll share a little story of mine about this.

Vou partilhar uma pequena história minha acerca deste tema.

During my process of discovering who I Am, there came a time when I could no longer ignore the fact that I did not really feel I deserved to be Abundant, I felt unworthy of this.

Durante o meu processo de descoberta de Quem Sou, deparei-me com um facto incontornável: o de que eu não sentia que merecesse ser Abundante.

This translated into this: I did not feel I deserved to be something as Pure as the True Essence of Isness that I Am – which is, in itself Abundance. I felt my humanness was not good enough for that, that the Divine was to be kept somewhere out there, not to be invited totally into my life! My life was too chaotic! How could my Soul dwell in the midst of the harshness of my reality?

Isto era na realidade a minha não aceitação de que pudesse ser algo tão Puro como a Verdadeira Essência de Quem Sou – que é, em si mesma, a própria Abundância. Sentia que a minha condição humana não era suficientemente boa para isso, que o Divino não pertencia aqui, era para ser mantido em algum outro lugar longe daqui. Não considerava convidar o meu Ser para estar totalmente na minha vida! Era demasiado caótica! Como poderia a minha Alma subsistir no seio da dureza da minha realidade?

Slowly, gradually, I started forgiving myself – letting go, accepting myself, allowing myself to come back Home. This lead to healing my wounds of lack, the deep emptiness I had been challenged with throughout my life. Nothing in my outside world had been able to fill that emptiness – no relationships, no things, no “doingness” could cover that void.

Lentamente, gradualmente, comecei a perdoar-me – a largar, a aceitar-me, a permitir-me voltar para Casa. Este processo levou à cura das minhas “feridas de escassez”, do vazio profundo com que me tinha sentido desafiada toda a vida. Nada no meu mundo exterior havia conseguido preencher esse vazio – nenhuma relação, nenhuma coisa, nenhum “fazer” conseguira preencher esse vazio.

As I gradually came back Home, my own Essence started filling the void and lack started being transmuted into Abundance, in other words, the illusion of lack started dissolving so that I could see, feel, be – live – the Abundance that I Am.

Conforme voltava gradualmente para Casa, a minha própria Essência começou a preencher o vazio e a escassez começou a transmutar-se em Abundância, ou seja, a ilusão da escassez começou a dissolver-se, permitindo-me ver, sentir, ser – viver – a Abundância que Sou.