sábado, 4 de novembro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 10

Dia 9 - 21 de Agosto


Itália a cores e ao vivo


Dormimos como uns anjinhos anafados no conforto da nossa cama confortável. Adoro dormir na “car-van”, mas para hoje à noite já marcámos ontem através da Booking um quarto em Florença. É numa casa particular que aluga quartos e pareceu-nos ter bom ar. É a primeira noite que marcamos antes de chegar ao local e como não temos regra para seguir, hoje será desta forma, amanhã logo se verá de que forma é.

A minha escolha de hoje: vivo em total confiança e entrega à minha Essência – vivo através da Essência. Hummm que bom sentir-me assim livre e entregue – sem apego ao livre arbítrio do meu lado humano. É que sei por experiência que quando estou simplesmente entregue à minha Essência, que é a mesma Essência em tudo e em todos, a vida flui naturalmente, livre de dramas e desperdícios de energia.

A nossa primeira passagem é por Génova – cidade grande e bonita mas por onde apenas passamos porque o caminho ainda é longo e hoje temos uma meta definida.

A seguir La Sepia, Carrara – terra de mármores - e em Viareggio paramos. É um lugar que me recordo de visitar quando vivi na Itália em criança. Lembro-me de virmos aqui de férias. Como está calor e este é um local de praia, decidimos ir ao banho ao mar, para refrescarmos.

Vou primeiro – o Pedro está a tratar daquele trabalho de ontem que ainda não terminou. Quando chego à praia deparo-me com um cenário de certo modo surreal. São fileiras e fileiras de cadeiras e camas de praia com chapéus-de-sol, tudo verde e branco, tudo arrumado simetricamente, tudo direitinho. Dou de frente com uma placa bem grande que diz que a praia não é pública e que por isso, ou se paga para alugar chapéus e cadeiras, ou não se pode pousar nada à beira-mar – nem a toalha, nem a mala, nem os chinelos – nada. Pode-se ir ao banho mas só se não se trouxer nada para pousar. A mesma placa indica que há uma praia pública cerca de um quilómetro mais à frente.



Volto para trás, perplexa, observando todo aparato com algum humor. Entretanto apanho o Pedro no caminho e ele pergunta-me porque é que não estou na praia. Vamos os dois, para ele poder ver com os seus próprios olhos. Como podem ter “vendido” a praia aos hotéis que os têm concessionados e não permitir que todos usufruam dela? É uma questão que nos transcende.

Deixamos para trás a nossa perplexidade e vamos buscar o carro para procurar então a tal praia pública. Quando lá chegamos trata-se de uma tira estreita, superpovoada. Um contraste interessante com as filas e filas de cadeiras e chapéus todos da mesma cor praticamente vazios e espaçados bem à larga.

Vamos mas é ao banho. A água é mais ou menos acastanhada e só vamos lá para dentro porque já que viemos até aqui vamos aproveitar para refrescar. É para um mar destes que se paga?

Realmente tudo é possível.

Passamo-nos pelo chuveiro de água doce, refrescados, de facto, e seguimos.

A nossa próxima paragem será em Pisa.

Conseguimos encontrar um parque mais barato num quarteirão sossegado lá para trás, não muito longe do centro.

À medida que caminhamos rumo ao complexo histórico onde se encontra a torre de Pisa observamos que os passeios estão todos quebrados e as estradas também, mas paga-se 3€ à hora para um lugar perto do centro. Ou seja, a câmara recebe o dinheiro mas não faz a manutenção dos espaços.

Hoje é um dia mais ou menos sossegado. É uma 3ª feira e há muitos lugares vagos, mas à medida que nos aproximamos da famosa torre encontramos mais e mais turistas, ocupados com as fotos criativas onde se finge segurar a torre ou empurrá-la – ilusão possível quando a foto é tirada à distância e no ângulo certo.

Todo o complexo é imponente. As portas esculpidas, as paredes de mármore com tantos pormenores que levariam um dia inteiro a apreciar. Não entramos porque para isso é preciso comprar um bilhete que dá acesso a todos os monumentos do complexo histórico mas entrar em todos levar-nos-ía demasiado tempo. Por isso ficamo-nos por apreciar de fora e ainda assim há tanto para ver.






Vamos dar uma volta grande pela cidade, absorvendo o sentir das ruas que como ribeiros se repartem por becos, ruelas e amplas avenidas pedestres.

Andamos, andamos e andamos todos os dias e ainda bem! Assim vamos compensado o tempo que passamos sentados no carro em viagem. Há um equilíbrio. Mas a tónica forte desta aventura é sem dúvida o movimento: interno e externo. Conforme vamos conhecendo diferentes realidades vamos aprendendo novos usos e costumes e ficando cada vez mais amplos e flexíveis, aceitando o que nos serve e o que não nos serve como fazendo parte do todo que é esta experiência. Gratos por podermos dar-nos ao luxo da descoberta descomprometida.

Temos que nos por a caminho rumo a Florença. Adorámos o passeio em Pisa e estamos prontos para mais encantos, sempre. Nunca porque nos falte algo mas apenas porque estamos disponíveis para apreciar tudo.

O caminho de Pisa a Florença, pela nacional, tem algumas curvas e o trânsito aqui na Itália é intenso, especialmente à entrada das vilas e cidades. As estradas não são muito boas e os condutores são muitíssimo rebeldes. Em aceitação, seguimos, parando a meio para o nosso repasto saudável, desta vez à beira da estrada.

Chegamos a Florença ao final da tarde e paramos o carro num sítio que não se percebe se é pago ou não. Seja como for iremos depois procurar outro melhor – agora só precisamos de chegar ao ponto de encontro com as pessoas da casa. No caminho telefonámos e o sítio onde vamos encontrar-nos já não é o inicial.

Chegamos a um prédio antigo mas muito bem conservado a uns escassos metros do famoso e imponente Duomo. Esperamos. Esperamos. A dado momento aparece uma rapariga que se acerca da porta do prédio onde estamos à espera e abordamo-la, para saber se ela vem ao nosso encontro. 

Estranhamente primeiro diz que não e depois diz que sim.  Entramos no prédio atrás dela e subimos para um “meio primeiro andar”. É que não é o primeiro, mas também não é o rés-do-chão. Ela abre a porta e entramos num pequeno estúdio, com casa de banho e kitchenette, com paredes de pedra e estuque e janelas pequenas que dão para a frente do prédio. É aconchegado e está bem decorado.

Vemos um sofá cama aberto, com lençóis engelhados vermelhos e começamos a perceber que é aqui que vamos ficar, afinal. Perguntamos-lhe. Ela confirma. É que eles tinham-se esquecido de colocar na booking que o quarto (o que nós alugámos) já estava alugado – esse era com casa de banho partilhada. Então encontraram uma solução. 

O mais interessante é que este lugar é muito melhor pois tem não só casa de banho como kitchenette e está precisamente no centro. Não podia ser mais central. E vamos pagar o mesmo por ficar aqui como seria no outro lugar. Quarenta euros. 

Ela atrapalha-se um bocadinho com a questão do pagamento, que pedimos que seja feito online através dos dados que inserimos na booking e por fim lá se resolve.

Hoje é dia de fazer a Sessão semanal de Respiração Consciente. Este estúdio não tem wifi mas não faz mal porque nós trouxemos o router móvel. A semana passada em Mataró, Espanha, esta semana em Florença, Itália. Estou a preparar-me para o meu sonho de me tornar gradualmente uma Nómada Digital ;)

Depois da sessão decidimos ir saborear uma pizza, das verdadeiras. É que não há pizzas como as de Itália. Não consegui ainda perceber porquê, mas é um facto.

Comemos um calzone delicioso e assistimos a um episódio caricato. Após alguns minutos de estarmos sentados e a fazer o nosso pedido, passa um senhor aos gritos, insultando o empregado que nos está a atender, dizendo que são uns aldrabões e mais coisas que não vale a pena referir. O jovem mantém a calma e explica-nos que o problema surgiu por causa da taxa de serviço. É que pelos vistos aqui na Itália cobra-se taxa de serviço por pessoa e a taxa varia de sítio para sítio, o que quer dizer que ao preço que está na carta temos sempre que adicionar essa taxa. A verdade é que, apesar da justificação do rapaz, mostrando que se encontra escrito no menu, está um pouco disfarçado e nós também não vimos à primeira. O que vale é que é raro comermos fora por isso não vamos ter muitas surpresas destas. O que nos aguça o sentido de humor é o ridículo da situação – uma pessoa começar a gritar com um empregado já depois de se ter ido embora e só porque passou naquele sítio outra vez, usando ainda por cima linguagem muito pouco apropriada. É o sangue italiano em ebulição.

O que importa é que adorámos o nosso calzone e estamos satisfeitos com o serviço.

Vamos dar apenas uma pequena volta pois já é quase meia noite e queremos levantar o mais tardar ás 7h amanhã de manhã para podermos ver a cidade com menos gente. Estão cá imensos turistas.


Ah, esqueci-me de vos contar como encontrámos um parque ideal!

Depois de falarmos com a moça que nos levou ao estúdio, fomos procurar parque noutro sítio, pois aquele que tínhamos encontrado não serviria para deixar o carro toda a noite, uma vez que não sabíamos como e onde pagar. Damos umas voltas ao quarteirão e de repente faz-se luz. Há um largo com parques pagos, mas mesmo ali ao lado há um estaleiro de obras e por isso em volta do largo estão umas separações de cimento onde não há sinais de proibição de estacionamento e também não há de pagamento. É o sítio ideal para deixarmos o carro! É um lugar sem lei J Estamos satisfeitíssimos!

E agora dormir. As molas do sofá cama estão velhas e completamente inapropriadas para dormirmos confortáveis. Mas a solução é simples. Fechamos o sofá e pomos o colchão no chão! Assim está perfeito.


Sonhos de pizza e arte! Até amanhã. 

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