quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 15

Dia 14 – 26 de Agosto

Entregue à minha Essência


Hoje é o dia em entramos de novo em França, mas antes disso vamos passar por Turim e logo decidimos se paramos ou não.

A minha escolha do dia é: abraço alegremente o dia em total entrega à minha Essência.

E sei que com esta simples escolha o dia estará pleno de belas surpresas J

Desmontamos a tenda calmamente... já há uns bons dias que não dormimos na car-van mas hoje será esse o caso, provavelmente. Com os olhos regalados na paz do lago Maggiore, o corpo a tilintar com o canto dos pássaros e vontade de ficar assim, em paz, rumamos a Turim – mais uma cidade imponente, com muitas histórias para contar, muita arte e engenho e... decidimos seguir ao encontro dos Alpes em vez de parar na cidade.

Põe-se a questão de escolher entre ir pela autoestrada, porque se calhar a estrada pelos Alpes tem muitas curvas (mais por minha causa que não gosto muito de viagens com muitas curvas), mas acabo por assentir que a estrada nacional será com certeza mais interessante.

Antes disso passamos por um supermercado para nos abastecermos de fruta e de alguns alimentos típicos da Itália para as nossas saladas dos próximos dias. Compramos uma focaccia, um frasco de cogumelos conservados em óleo e especiarias e um frasco de pimentos com courgette e beringela, bem como algumas frutas e salada, um pacote de batatas fritas – que não faz falta mas sabe bem – e estamos prontos para os Alpes.

Paramos à beira da estrada para o nosso pequeno-almoço almoçarado e deliciamo-nos com os cogumelos dentro da focaccia fresca, junto com alguma salada. Sentados no passeio ao lado de um cedro, com campos verdes de um lado e do outro da estrada, parece-nos que estamos num qualquer outro lugar que não neste ponto de passagem onde os carros desfilam espaçadamente mas em que ninguém faz caso deste nosso poiso. Sabe bem estarmos assim, livres de preconceitos.

A viagem pelos Alpes começa a ganhar balanço e que encanto! Passamos pelo Vale de Susa, pelas aldeias de Exilles e Oulx e várias outras cujos nomes não tenho agora em mente e o cenário é deslumbrante 100% do tempo! Grata por me ter deixado levar por estes caminhos onde os penhascos pintados de verde são ladeados por vales onde correm ribeiros cristalinos. 





O ar é puro e fresco, dando-nos recobro depois de tantos dias de calor intenso.

As aldeias com casas típicas são lindissimas e não resistimos a parar à beira da estrada para molharmos a cara num dos ribeiros que nos convida a sentir as suas pedras redondas debaixo dos nossos pés. Hum que água gelada e limpa! Até aproveito para lavar as cuecas do dia anterior ;)



A entrada em França é uma continuidade de beleza e a primeira vila histórica mesmo na fronteira, Montgenèvre, chama-me para fotografar os coloridos arranjos de flores nos vasos que decoram a beira da estrada.




Não caibo em mim de felicidade e plenitude!

Todo este cenário me faz lembrar as histórias da Heidi de que tanto gostava quando miúda. E sinto-me como ela – uma miúda alegre e traquinas, como se estivesse a correr pelo monte abaixo de braços abertos e cabelos ao vento gritando “LIBERDADEEEEEE” J



Paramos num lugar idílico: um lago no Pays des Écrins (Altos Alpes). É uma praia fluvial com imensa gente espalhada pela relva e a brincar na água que parece suave como uma cama de veludo na qual se mergulha e desfruta de Ser fluido.

Hummm! Que bênção! 




Brincamos na água, deitamo-nos na relva. Descansamos e pensamos que se calhar é preciso continuar o caminho, mas até podíamos ficar por aqui o resto do dia.

Enfim, vamos. 

Como sabes, esta nossa viagem chama-se Eco Trip porque pretendemos que seja o mais sustentável possível e nesse contexto evitamos comprar garrafas de água quando podemos comprar garrafões e sempre que é possível enchemo-los com água da fonte para comprar o mínimo de plástico possível. 

Aqui nos Alpes encontramos a fonte que temos vindo a procurar – água bem fresquinha e num cenário bucólico perfeito.


Passamos por muitos mais lugares de cortar a respiração e como vejo que o fim do dia se vai aproximando e hoje apetece-me parar de andar de carro mais cedo, consideramos dar o dia por terminado por volta das 5 da tarde, neste lugar da foto, mas o Pedro diz-me que poderíamos aproveitar e fazer mais uns quilómetro e lá vamos nós. Não fazemos a menor ideia onde vamos pernoitar mas o lugar há-de aparecer.


Já mais pelo final do dia paramos num sítio à beira do rio Ladrôme, a seguir a Die, que tem duas autocaravanas paradas, uma que parece estar permanentemente ali, pertencente a um jovem punk com vários cães que convive alegremente com os amigos à mesa à porta da sua “casa” bastante desarrumada.

Há também um carro de dois lugares espanhol, de um casal de jovens que parece estar a discutir junto ao ribeiro - aquelas conversas de casal em que cada um puxa para o seu lado e que felizmente não nos assolam - e certamente vão também dormir por aqui. 

Começamos por montar a tenda mas depois decidimos que dentro do carro – desculpa, car-van – estamos mais abrigados e assim nos quedamos neste sítio sossegado onde o ribeiro corre no silêncio da noite e muito poucos carros passam na estada mais adiante.


De manhã vou poder começar o dia com um banho gelado nesta água cristalina.

Mudança em Paz - os meus votos para 2018

Estamos aqui para alcançar a Paz Interior independentemente das circunstâncias externas.

Isso faz-se através da prática da Aceitação – do Cooperar com o que as circunstâncias nos mostram ao invés de lutar contra elas.

Só a partir de um ponto de Paz Interior podemos ter clareza e discernimento para escolher de forma consciente a nossa realidade.

A nossa realidade muda não porque a forçamos a mudar, mas porque através da nossa vibração alteramos o que atraimos para nós. Ou seja, o que vivenciamos na nossa realidade depende do nosso estado de consciência – incluindo, claro está, o nosso estado mental e emocional.

A qualidade das circunstâncias, relacionamentos, lugares e situações que povoam a nossa realidade depende, assim, exclusivamente do nosso estado de consciência e não podemos mudar a realidade de mais ninguém senão a nossa.

Não obstante, ao criarmos uma realidade baseada numa vibração de Paz, Equilíbrio, Amor, Harmonia, Alegria, estamos a criar um novo paradigma, um novo potencial de realidade que pode ser replicado, ainda que sempre de forma pessoal, por quem queira enfim quedar-se na Paz em si. Estamos a criar novos potenciais possíveis para todos.

Ao povoarmos o mundo com a nossa realidade pacífica, não só não o poluímos com luta, separação, escassez, dor, sofrimento e toda a sorte de negatividade, como emanamos qualidade relevantes e essenciais para que a Sombra se encontre com a Luz no Todo que formamos juntos.

Resta referir que a Paz Interior alcança-se no silêncio interno, na aceitação de todos os nossos medos e vozes de dúvida, sem lutar mais contra eles mas chamando-os de volta para Casa, para a Paz da nossa Essência.

É importante perceber que não se pode forçar uma parte traumatizada nossa a sucumbir e também não é através da rejeição dessa mesma parte que vamos poder dilui-la. É através do nosso próprio exemplo de Paz Interior que as nossas “crianças abandonadas” internas podem perceber que a guerra acabou, sair dos seus esconderijos e voltar para o colo Divino que há em nós. Não é possível convencê-las com falas mansas nem trazê-as pelos cabelos, basta apenas aceitá-las, sabendo que não são mais necessárias e ficar recetivo, com as portas do coração aberto para que possam entrar no nosso centro e descansar, fundindo toda a energia da consciência que sustentavam com a Consciência expandida do nosso Ser.

Sempre que isto ocorre, dá-se em nós uma mudança de vibração, um câmbio de ADN, uma regeneração e ficam disponíveis novas qualidade, novas forças que estavam retidas em consciência de vítima. Estas forças, que estavam apenas na sua polaridade negativa, assumem também a positiva e equilibram-se, tornando-se neutras, formando assim um campo infinito de puros potenciais criativos para a vivência de uma realidade completamente nova.

Os meus votos para todos que assim o desejem neste novo ano:

·         » Que se permitam ficar nesse lugar interior – o Espaço Seguro – onde habita o Silêncio, a Paz Pura

·         » Que se permitam aceitar e receber de volta a Casa todas as partes que já não sirvam propósitos produtivos nas vossas vidas

·         » Que se permitam escolher conscientemente uma nova realidade

·         » Que se permitam vivê-la, livres dos sistemas de crenças que a possam querer sabotar


Respira e Sê – tudo o resto será consoante este simples postulado. 




segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Porque não celebro o Natal celebrando-o / Why I don't celebrate Christmas though I do

Há já alguns anos que estou desligada da necessidade de datas especiais pre-definidas pela sociedade em que vivo para celebrar o significado mais profundo da vida em consciência.

It has been a few years now since I have disconnected from the need for special pre-defined dates, dictated by the society I live in in order to celebrate the deepest meaning of life in conscious awareness. 

Por outro lado, sinto que está nas nossas mãos reverter os danos já causados à Mãe Terra e que o consumo desenfreado que se intensifica nestas épocas festivas é um tiro nos nosso próprios pés. É que a Terra, de uma forma ou de outra, encontrará forma de se regenerar e de nos sacudir - nós é que temos que escolher se saimos do caminho e permitimos que essa regeneração seja mais gradual ou se continuamos a insistir cegamente na exploração massiva dos seus recursos e precipitamos uma regeneração auto-destrutiva.

On the other hand, I feel that it is in our hands to revert the damage so far caused to Mother Earth and that the senseless consumption which intensifies during these festive occasions is a step that leads us towards our own destruction. The thing is that Earth itself, will one way or another find its path towards regeneration, shaking us all out of our wits - the choice as to whether we are willing to get out of her way and let Her do Her job gradually, or whether we continue blindly insisting on the massive exploitation of Her resources, thus precipitating a self-destructive regeneration is ours to be made. 

Sei, por isso, que para mim a melhor forma de viver em Amor é ser sustentável, respeitando esta grande Mãe que me dá guarida, a mim e a todos nós, e respeitando a energia que me assiste em toda a criação da minha realidade aqui na Terra.

This is why I know that for me, the best way to live in Love is by being sustainable, respecting this Grand Mother that houses me and all of us and respecting the energy that assists me in all of my creations on Earth. 

Ser sustentável é também, no meu entender, o que Jesus Cristo mostrou na prática através do seu próprio exemplo de vida - tendo vivido sem excessos e sempre em harmonia com o seu coração.

Being sustainable is also, to my mind, what Jesus Christ showed in practice through his own life example - having lived with no excesses and in harmony with his heart. 

O advento de Cristo vive-se todos os dias, dentro de cada um de nós, na nossa Essência, que é a mesma que a de Jesus Cristo, de Buda, de Sai Baba, de Osho e de tantos outros Mestres que por aqui têm passado e continuam a passar.

The advent of Christ is lived every day, within each one of us, within our Essence - the same Essence as Jesus's, Buddha's, Sai Baba's, Osho's and so many other Masters that have passed and still pass through this planet. 

A Consciência do Amor é permanente e reside eternamente em nós. Basta rendermo-nos a essa verdade silenciosa e permitirmo-nos fundir com ela, largando os apegos e ilusões do Ego.

The Consciousness of Love is permanent and resides eternally in us. All we need to do to be in it is surrender to this silent truth, allowing ourselves to meld with it, letting go of the attachments and illusions of the Ego. 


Os melhores presentes não têm forma ou compulsão de necessidade e partilham-se em cada instante mágico em que comunicamos alma a alma, coração a coração.

The best presents have no need compulsion and are shared in each magic instant as we communicate soul to soul, heart to heart. 

A inspiração, a paixão, a motivação, a compaixão, a liberdade, a aceitação, a coragem, a vontade, a determinação, a confiança, a serenidade, o equilíbrio, a harmonia, a paz profunda de Ser onde reside a Verdade que a todos pertence... todos estes tesouros ficam esquecidos sob a azáfama das aparências em que vale mais agradar e ser aceite que amar e aceitar.

Inspiration, passion, motivation, compassion, freedom, acceptance, courage, will, determination, trust, serenity, balance, harmony, the profound peace of Isness - reside in the Truth that belongs to All. And All of these treasures are forgotten under the rush to "look good"  where it is more important to please and be accepted than to love and accept. 

Todos recebemos, logo à nascença, a dádiva da vida e dependendo do lugar e situação em que nascemos todos temos desafios. O segredo da sua transcendência não está na luta contra as circunstâncias mas sim na tranquila aceitação do seu propósito e na capacidade de fazermos desses desafios os nossos Mestres ao invés de serem os nossos Carrascos. Então podemos escolher para que lado ir, que caminho tomar, como mudar a nossa situação.

We all receive the gift of life at birth and depending on the place and situation where we are born, we all face challenges. The secret to transcending them is not in fighting against circumstances but in the serene acceptance of their purpose and in our capacity to make those challenges our Masters rather than our executioners. Then we can choose which way to go, which path to take, how to change our situation. 

Vêem-se por aí nesta época muitos apelas à solidariedade para com famílias que não têm possibilidades económicas para darem presentes aos seus filhos.

In this season it is common to see appeals to solidarity towards families that do not have economic means to give their children presents. 

E se o seu maior presente for esse mesmo? O de aceitarem a situação e perceberem que afinal estão livres da compulsão do consumo? O de perceberem que afinal têm algo muito mais valioso para oferecer? O Tempo, o Amor, a Atenção, o Afeto - já não contam para nada?

What if their greatest gift is exactly this one? The acceptance of this situation and the understanding that in fact they are free from the compulsion to consume? The understanding that they have something much more valuable to offer? The Time, the Love, the Attention, the Affection - have these become worthless?

Gasta-se tanto Tempo procurando ter o que não se tem que o que realmente é eterno fica completamente escondido por debaixo da névoa da zanga com a injustiça da Vida.

So much Time is spent seeking for what one does not have that what is truly eternal is covered up under the mist of rage against the injustice of Life. 

E ao estarmos a alimentar esse jogo apenas perpetuamos a necessidade do ter em vez de ajudarmos a valorizar o que já se tem e que está para além do dinheiro, das lojas e das obrigações do bem parecer.

And by feeding this game all we do is perpetuate the need to possess instead of helping each other value what we already have and resides beyond money, shops and appearances. 

A minha proposta para este Natal é que em vez de se ficar com pena de quem não tem isto ou aquilo para poder celebrar o Natal, se largue o formato, a necessidade e a ilusão do mundo materialista e que se honre e valorize o brilho em cada um, todos os dias. É sempre tempo de oferecer presentes e acima de tudo, é sempre tempo de partilhar Amor.

My proposal for this Christmas is that instead of pitying those who do not have this, that or the other in order to celebrate Christmas, we let go of the format, of the need and of the illusion created bt the materialistic world we live in and honour and value each one's glow, every day. It is always a good moment to offer gifts and above all, it is always a good moment to share love. 

Criámos um Monstro Comilão, cheio de boas intenções e nesse processo esquecemo-nos que afinal a vida pode ser vivida de muitas e diversas formas - há é que perceber quais são os tesouros de cada momento e fazer o melhor proveito deles em vez de criar necessidades em quem parece ter menos que nós.

We have created a Munchy Monster, filled with good intentions, and in that process we have forgotten that in fact life can be lived in many and diverse ways - may we be able to understand the treasures present in each moment and make the best possible use of them instead of creating needs in those who seem to have less than us. 

Sejamos mais humildes, solidários no respeito pelos modos de vida de cada um e permitamos que singre a liberdade de viver Cristo em todos os corações, sempre.

May we be humbler and more solidary by respecting each one's ways of life and may we allow the freedom of living Christ in All hearts, always, to prevail. 

Cada dia é um bilhete de lotaria e as chances de nos calhar a sorte grande dependem, em grande medida, da forma como utilizamos a energia que temos ao nosso dispor. Viver em consciência requer consistência e coerência e achar-se consciente sem a presença destes dois requisitos tem consequência severas, sempre 100% apropriadas mediante as aprendizagens necessárias a cada momento. Da mesma forma, viver inconsciente define a qualidade do prémio que a lotaria do dia nos entrega.

Each day is a lottery ticket and the chances of us winning the prize depend, mostly, on the way we use the energy that is at our disposal. Living in consciousness requires consistency and coherence and deeming oneself to be conscious in the absence of these two requisites has severe consequences, always 100% appropriate and according to the lessons necessary at that time. Equally, living unsconsciously defines the quality of the prize each day's lottery bestows upon us. 

Aceitar que tudo é possível é meio caminho andado para um prémio bem valioso, incluindo a própria ausência de prémio :)

Accepting that all is possible is half way towards a valuable prize, including the actual absence of a prize. . 

Valorizas o teu tempo ou vendes-lo ao desbarato para poderes usar uma boa parte do tempo que resta a gastar o dinheiro que traduziu neste mês o valor do teu Tempo?

Do you value your time or do you sell it incessantly in order to be able to use a large part of the remaining time to spend the money that translated your Time's value this month? 

Lembra-te: os limites são definidos apenas pelas nossas crenças e a cada momento podemos destituir crenças estéreis e criar outras que sirvam o dom da Vida em Consciência.

Remember: limits are defined only by our beliefs and each moment we can dethrone sterile beliefs and create others that serve the gift of Life in Consciousness. 

A todos os leitores que celebram o Natal hoje, desejo uma época significativa - em harmonia e comunhão propícias da época e que assim seja ao longo do ano inteiro.

To all readers who celebrate Christmas today, I wish you a significant time - in harmony and communion, just as this season requires and may it be so all year round. 

E assim me despeço, por hoje, com um abraço terno e pleno, celebrando-te sempre.

Goodbye for today, with a warm and fulfilled hug, celebrating you always. 







Um exemplo prático de como criar sustentabilidade através da criação de Felicidade <3 

A practical example of Sustainability through fostering Happiness all year round :D

SER!... Amor para Além da Ilusão - Entrevista Rádio & Jornal Cidade de Tomar

sábado, 16 de dezembro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 14

Dia 13 – 25 de Agosto


Silêncio


Esta noite nem o sino da igreja nos conseguiu demover do nosso mergulho no mar do sono que tão bem nos soube! Somos mais uma vez brindados com um saudável repasto matutino antes de nos pormos a caminho mais uma vez, agora no caminho de regresso a Portugal... mas por outras paragens distintas das que nos trouxeram até cá.

Fortes abraços de gratidão e promessas de reencontro dão-nos fuel para nos fazermos à estrada para visitar o lago de Como e possivelmente pernoitar por ali, escolhendo hoje um dia com poucos quilómetros de estrada e algum descanso do mundo urbano.

A minha escolha de hoje é: Silêncio… Não é que vá ficar calada todo o dia, claro que não. É deixar-me ficar neste silêncio infinito que habita em mim, bem no meu centro, de onde tudo nasce e para onde tudo retorna, este silêncio que assiste à dança da Vida em Serenidade absoluta.

E é nesta nota tranquila que chegamos ao Lago de Como. É, também este, um lugar que conhecia da minha infância na Itália mas agora sinto-o diferente. Alguma coisa mudou. Terei sido eu, com certeza, e o passar dos anos que sempre deixa os seus contornos de mudança por todo e qualquer lugar.





 Antes de mais, decidimos ir em busca do parque de campismo onde equacionámos ficar esta noite. Eventualmente encontramos o tal lugar mas o que encontramos é algo saído daqueles filmes passados nos EUA, algures num ponto remoto à beira de uma autoestrada, com dois rececionistas com menos de 20 anos que parecem ser os únicos responsáveis pela gestão deste espaço. A receção está suja e desarrumada e o rapaz que nos atende tem sarro amarelo nos dentes. Pedem-nos ambos os bilhetes de identidade e querem ficar com eles até fazermos o check-out no dia seguinte. Parece-nos muito estranho.

Há bastante espaço livre e não há nenhuma tenda mas apenas algumas autocaravanas. Procuramos um cantinho para montar a tenda e almoçar mas de um lado ouvem-se muito os carros a passar na estrada mais abaixo e do outro somos atacados por um batalhão de melgas!!! Aquelas tais que há por aqui com fartura.

Entretanto estendemos a manta noutro cantinho, prontos para começar a almoçar mas o nosso 6º sentido diz-nos que há algo que não joga certo aqui e após meia tenda montada e o almoço pronto na relva, decidimos desmontar tudo e ir embora dali. O nosso silêncio interno guia-nos para outro lugar.

Acabamos por almoçar numa mesa de jardim junto ao lago onde, sendo 6ª à tarde no mês de férias, vários grupos de jovens convivem cada qual à sua maneira.

 Temos a sensação que a proximidade da fronteira com a Suíça, país próspero para onde muitos desejam emigrar, criou nesta zona da Itália uma espécie de gueto, como que um posto de paragem para muitos que aspiram a poder transitar para a Suíça e assim melhorarem as suas condições de vida e também um lugar de negócios menos transparentes entre fronteiras. Sentimos, no silêncio dos nossos corações e a indicação é clara.

Vamos para Lago Maggiore. Mais um lugar onde a riqueza da natureza criou um forte mercado turístico que neste caso nos beneficia, pois não temos que procurar um parque de campismo! Há tantos ao longo da estrada que basta escolher, parar e ficar.

É o que fazemos.


 Já é final de tarde e o sol baixo no horizonte cria aquele festim de luz especial, aquietando o calor do dia e preparando-se para docemente receber a noite que aí vem.



Depois de escolher o nosso poiso e montar a tenda perto do lago, ainda temos a bela oportunidade de mergulhar nele e apreciar as conversas dos patos que ali brincam.




Como sempre, mais uma vez a nossa realidade trouxe-nos a medida das nossas escolhas e é certo que preferimos lugares sossegados sem grandes multidões, pelo que o monte de gente que estava à beira do lago quando chegámos entretanto eclipsou-se para os preparativos de fim de tarde e nós podemos desfrutar do lago só para nós… e para os patos ;)




Como comemos o almoço tarde, o jantar não passa de uma peça de fruta e alguns frutos secos seguido de um chá de hortelã no bar do camping, aconchegando o estômago e o coração.

Chegados ao fim deste dia tranquilo, sentimo-nos plenos, abundantes, de sorriso plasmado no rosto, com os olhos cintilantes de magia porque a vida nos é tão bondosa.

domingo, 10 de dezembro de 2017

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 13

Dia 12 - 24 de Agosto


Tanto para Apreciar...


Apesar do sino da igreja passámos uma noite descansada e de manhã encontramos o Luigi na cozinha a preparar o nosso pequeno-almoço com muito carinho. Ontem à noite antes de se deitar deixou preparado o leite de amêndoa, e agora vamos degustá-lo, junto com uma pasta de amêndoa feita por ele e simplesmente deliciosa. Torradas, manteiga indiana ghee, melão, mel, chá - um super repasto matinal.

A minha escolha para hoje é viver em plena Compaixão, saboreando a Serenidade de Ser em todos os instantes do meu dia e é com esta escolha que começa a nossa visita pelos caminhos históricos do Norte de Itália.

O Luigi leva-nos a uma aldeia próxima de Cremezzano chamada Sandino onde nos deparamos com um castelo de tijolo saído dos contos de fadas, com um fosso à volta onde poderiam estar crocodilos de boca aberta e que tem uma daquelas pontes levadiças por onde decerto muitos cavaleiros terão passado em tempos idos.





A nossa principal visita do dia é no entanto a Milão que me repousa na memória como um lugar onde detestava ir em criança. Quando viva em Gorgonzola, com os meus 6/7 anos, sempre que a minha mãe me dizia que íamos a Milão ficava chateada. Era um lugar escuro e poluído com demasiado movimento e barulho e que eu não conseguia compreender.

Agora, reconheço como aos meus olhos de criança a monumentalidade gigantesca de Milão poderia parecer-me assustadora, de facto, pois é uma cidade grandiosa que aos olhos de um adulto é magnífica e portentosa mas que uma criança criada no campo e em cidades pequenas não consegue abarcar no seu mundo. Por outro lado tive vivências passadas, memórias de outras vidas não muito agradáveis aqui.

O meu desafio presente é precisamente manter um olhar Compassivo, sem as sombras do passado e inteiramente disponível para a serena novidade do agora.

E assim é. Milão mostra-se bonita, imensa, ainda poluída mas estranhamente calma nesta 5ª feira quarta-feira de agosto, com trânsito tímido e calor intenso.

Encontramos um lugar a cerca de 2km do centro mas não há parquímetros. Percebemos que é um lugar onde se estaciona com dístico residencial e que provavelmente o pagamento é feito em alguma repartição pública. Sentimo-nos confiantes e arriscamos deixar o carro aqui mesmo. Vai tudo correr bem.

Caminhamos, caminhamos, caminhamos pelas ruas que normalmente não se visitam. É a vantagem de estacionarmos fora dos centros históricos.

Quando chegamos ao largo central, ao grandioso Duomo, o movimento de carros e pessoas intensifica-se. Ainda ponderamos se entramos ou não. O Luigi quer oferecer-nos o bilhete mas acabamos por decidir não entrar porque por um lado a fila é grande e por outro o monumento também, o que nos requereria umas boas horas que escolhemos usar de outra forma.




Passeamos pelas Galerias Vittorio Emanuele, graciosas no seu esplendor dourado. Vemos turista após turista a colocar o seu calcanhar no testículo do touro e a rodar uma volta inteira – é suposto ser uma prática de boa sorte! E há tanta gente a acreditar nisso ou apenas a seguir o exemplo por curiosidade que há um buraco no chão de tanto pé a rodar todos os minutos de cada dia! Ficamos ali um pouco a ver o “desfile” e a deliciarmo-nos com a sedução impulsiva do ser humano em seguir os mesmos passos já antes trilhados.




Depois seguimos pelas ruas de Milão até ao Castelo Sforzesco que nos brinda com um belo jardim onde podemos descansar um pouco que a caminhada já vai longa. Quando chegamos ao jardim temos o privilégio de ouvir um guitarrista que por ali decidiu parar para vender os seus CDs e alegrar as árvores.


Hum… árvores de sombra frondosa e fresca, com cadeiras espalhadas pelo relvado, mesmo a jeito para uma boa conversa sobre amor e relacionamentos – um dos meus temas prediletos.

Quando um relacionamento termina há sempre a tendência para se dizer que não funcionou ou que algo correu mal o que, tendo em conta que a mudança é a certeza maior que existe na vida, é no meu entender um preconceito limitante. 

Todos os relacionamentos servem um propósito na vida de quem os tem e todos os seres humanos evoluem ao seu próprio ritmo, pelo que em relacionamentos muito longos é muito natural que duas pessoas evoluam em sentidos distintos e criem interesses distintos. Se esses caminhos distintos forem conciliáveis, os relacionamentos podem perdurar e ambas as pessoas podem coexistir. Se forem inconciliáveis a vida convida-nos a largar a nossa zona de conforto no relacionamento e a seguir um novo trilho – há alguma coisa de errado nisto? A meu ver não. Nada corre mal, apenas muda e tudo contribui para sermos quem somos em cada momento.

Porque é que se considera que apenas os relacionamentos que duram eventualmente toda a vida é que correm bem? Muitos desses relacionamentos estão longe de ser um exemplo de amor e harmonia e são na maioria das vezes apenas uma farsa confortável e aceitável socialmente. Por outro lado, os relacionamentos que duram uma vida em harmonia são a exceção e não a regra pelo que nem uma coisa nem outra é o que está certo ou o que está errado, são apenas formas diversas de trilhar o amor nesta vida.

Permitamo-nos a liberdade de descobrir o amor para além da forma – ou seja, sempre que estejamos numa encruzilhada entre ficar num relacionamento íntimo com alguém ou apartarmo-nos dessa forma de relacionar, saibamos que o amor entre nós persiste se soubermos manter o respeito mútuo e aceitar que a amizade é também um forma de amor puro e pleno. Saibamos aceitar o outro e aceitar-nos a nós mesmos em cada fase evolutiva e façamos escolhas claras e conscientes mantendo sempre firme o nosso propósito maior que é sempre e invariavelmente: SER.

O giro é que toda esta conversa surja numa altura em que estou a finalizar o meu livro SER!... Amor que quero ver publicado até final de setembro em inglês e português, finalmente após 5 anos de incubação.


Bem vamos mas é seguir que a conversa já vai longa e a hora do almoço declara-se nos nossos estômagos como um despertador que brinca com a nossa imaginação gastronómica.

Decidimos procurar um restaurante para comer uma boa pizza italiana, mas longe do centro para ser mais barato e sossegado. Eis que tenho a felicidade de poder recordar uma das coisas que mais amava na Itália: a pizza margherita! A mais simples de todas e desta vez com folhas de manjericão. Não podia passar por Itália sem revisitar esta experiência simples mas significativa nos recantos das minhas memórias de infância.

Quando chegamos ao carro está tudo bem. Claro. O Luigi ainda ía com alguma dúvida mas nós já vamos com uns bons dias de experiências de confiança na voz segura do nosso coração ao longo do caminho pelo que sabemos que quando sentimos que tudo está bem assim é.

Depois de Milão ainda vamos até Cremona onde existe a Torre em tijolo mais alta da Europa. Mais um lindo monumento – uma igreja – que temos oportunidade de ver por dentro e por fora. É uma cidade artística e histórica quase como Tomar mas em ponto grande J



Abrimos espaço para outro momento degustativo com o gelado do fim da tarde, uma especialidade italiana também a não perder e neste caso de fabrico artesanal e com sabores bem diferentes do habitual.

Encontramos mais uma vez uma bela árvore de raízes gigantes debaixo da qual apetece ficar mas que afinal está pejada de mosquitos! Aqueles de que te falei já e que são uma verdadeira praga nesta zona da Itália. Procuro um banco de jardim longe dos mosquitos e ali fico quieta e feliz enquanto o Pedro e o Luigi conversam debaixo da árvore, sem se sentirem incomodados pelos mosquitos.

No caminho para casa (Cremezzano) ainda passamos em Pardenelle sob o laranja do pôr-do-sol para ver por fora o último castelo do dia – de tijolo, como é apanágio dos monumentos desta zona.

Foi um dia intenso e cheio, bonito e sábio pelo que nos sentimos imensamente gratos e prontos para uma boa noite de descanso.

O Luigi convidou-nos para uma festa com uns amigos amanhã mas decidimos seguir caminho rumo ao Lago de Como para podermos ir com mais calma e parar noutros lugares.

Como se não bastasse tudo o que já recebemos hoje, o Luigi ainda nos dá umas abóboras bio diretamente da sua horta para podermos comer em Portugal e lembrarmo-nos destes momentos bem passados.


Obrigada Luigi.