sábado, 13 de janeiro de 2018

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 16

Dia 15 – 27 de Agosto

Harmonia
 

Hoje é mais um daqueles dias em que tenho uma “banheira” natural mesmo à porta de “casa”, e ainda que não haja esquentador, a água fresquinha espevita-me os poros e faz com que o sangue brinque ás estafetas por todo o meu corpo. Hum! Que revigorante!

Não há nada como um bom banho de água cristalina e gelada para me encher de Paixão pela vida!

E assim escolho para o dia de hoje abraçar a bem-aventurança de viver em harmonia e equilíbrio, completamente entregue à minha Essência.

Depois de reconvertermos a super-viatura em veículo de ligeiros pomo-nos a caminho.

Passamos por Pontaix e muitas outras aldeias rupestres, com casas típicas dos Alpes e verdes campos a perder de vista, quebrados apenas pelos cumes gigantes que ora se erguem ora se despenham em vales abundantes.

A dado momento avistamos uma praia fluvial lindíssima e cortamos por uma estradinha que não parece levar a lado nenhum, pelo que voltamos para trás e desistimos da ideia de mergulhar nessas águas límpidas que vimos ao longe.

Mais à frente, numa aldeia pitoresca, decidimos ir à procura de poiso para tomarmos o pequeno almoço e vamos dar a um campo de futebol e parque de autocaravanas, onde há uns bancos de madeira para descansar.

Há também ali um miradouro. Decidimos ir ver a vista. Sabes o que é que encontramos??? O tal lugar lindo mesmo lá em baixo – chama-se Pont du Diable e fica em Thueyts. Daqui dá para ver como se vai para lá e concluímos que íamos no caminho certo, naquela estradinha de há bocado.




Comemos e voltamos para trás porque aquela praia fluvial é mesmo muuuuito linda!

Tomamos um belo banho – o meu segundo do dia, com água igualmente fresquinha.


Começam a chegar famílias e mais famílias, com chapéus de sol e farnel para todo o dia. Realmente é um bom lugar para passar o dia de domingo. Mas nós não vamos ficar. Hoje temos ainda um bom par de quilómetros pela frente.

Estamos felizes até ao tutano, até ao cerne das nossas células, até à mais ínfima molécula! Que liberdade boa, esta!

Aí vamos nós como borboletas ligeiras, esvoaçando pelos prados.

Por volta das 14h decidimos parar para o almoço, uma vez que nem na ida nem na volta ainda almoçámos um repasto típico de França.

A vila chama-se Les Pradelles e escolhemos um restaurante no centro histórico cuja ementa nos parece bem.

Bebemos um vinho com especiarias típico daqui para aperitivo e cerveja com frutos vermelhos para provar algo diferente. Pedimos os dois pratos diferentes do dia e quando chegam ficamos um pouco perplexos a olhar para aquilo. 

O meu tem umas fatias de presunto com alguma salada e umas batatas no forno ás camadas e o do Pedro é uma salsicha cujo recheio não lhe agrada muito pois sabe bastante a porco, também com umas batatas mas mais para o cozido. 

Com o meu, vem um copinho com uma coisa branca, um creme que sabe a iogurte e que deduzo ser como uma maionese ou assim. Bem, começamos a comer e vou molhando o presunto e ás vezes também as batatas no copinho. As pessoas à nossa volta olham para nós de forma estranha, mas deve ser por não sermos daqui.

Mais para o final da refeição começamos a aperceber-nos de que na verdade o dito copinho com o creme branco era a sobremesa!!!!!! Por isso é que o empregado tinha trazido um frasco com açúcar!!!! Quando nos damos conta do nosso disparate, principalmente o meu, começamos a rir a bandeiras despregadas. Era por isso que nos fitavam como aliens. Heheheheheheehe… mas valeu a pena a tolice para agora nos podermos rir de nós próprios. É sempre uma maravilha podermos fazê-lo!

Quando se viaja por outras paragens com diferentes costumes estes episódios ocorrem sempre, com maior ou menor frequência e são momentos únicos que apimentam qualquer viagem.

Vamos!

Paramos em Mende, uma linda cidade histórica e passamos por Les Salelles e Laissac. Fazemos muito quilómetros e estamos com vontade de mais um banho para refrescar.




Seguimos umas tabuletas que nos parecem ir dar a um lago mas… damos com um rio onde não se pode ir ao banho e onde só se pesca. Ainda assim aproveitamos para comer umas amoras doces e suculentas.

Retomamos o caminho sempre com a intenção de encontrar uma aguinha para nos banharmos, o que a esta altura parece bastante impossível porque no mapa não há rios, lagos ou ribeiros.

Estamos, no entanto, determinados.

A dado momento vemos umas placas a indicar uma coisa chamada Cap Découverte e a imagem mostra uma pessoa a fazer windsurf. Será possível?

Saimos da estrada principal e vamos à descoberta do Cap Découverte. Está bem indicado, deve ser um lugar importante.

Quando chegamos vemos que é um parque com diversões várias, onde se praticam desportos radicais e imagina o que encontramos: lá no fundo há uma praia artificial!!!! Com montes de gente a fazer ski aquático e há um teleférico para chegar lá abaixo. 

Como já é final da tarde, são cerca das 18h30 e isto fecha ás 19h30 perguntamos ao rapaz que está junto do teleférico se ainda dá para ir ao banho e ele acena afirmativamente. Perguntamos se se paga para descer e ele diz que não. Nem dá para acreditar! Vamos não só ao banho, como de teleférico e sem pagar um tostão!



Foi sem dúvida a descoberta do dia este Cap Découverte.

A praia tem areia como uma praia verdadeira, há balneários, chuveiros, tudo.


Divertimo-nos por ali um tempo e chega a hora de termos que voltar a subir no teleférico. Felizes! Muito felizes 😊

Como ainda é de dia vamos até Albi, que é mesmo ali ao lado e encontramos uma cidade que respira harmonia. Tem a maior catedral de tijolo do mundo e toda a construção da cidade foi criada de acordo com isso, sem destoar. Adoro os vasos floridos nos parapeitos da janelas, as ruas limpas, o sossego. Enfim, estou nas sete quintas.


Como já é final de tarde comemos um farnel que tínhamos no carro, junto ao estacionamento. Vou ao parquímetro e sai-me um tiquet que dá até ao dia seguinte de manhã! Entretanto apercebemo-nos que a esta hora já não se paga por isso o tiquet só começou a contar a partir da primeira hora paga de amanhã. Bem, não faz mal, este euro é o nosso contributo para o Município, tão bem cuidado que encontramos.

Passeamos bastante, tranquilos, num estado de verdadeiro contentamento.





Já noite decidimos ir à procura de lugar para dormir – na carvan.

Depois de algumas tentativas paramos numa área de repouso e o giro é que o Pedro queria um sítio com uma tomada para carregar um pouco o telefone e a casa de banho aqui tem essa tomada!

Parece-nos em princípio que vamos dormir bem aqui.

Mas enganamo-nos. Toda a noite é um corrupio de camiões a chegar e a partir e carros e gente a fazer barulho na rua.

Nem eu nem o Pedro conseguimos pregar olho, mas pelo menos descansamos.


Dormir ou não pouco importa, depois de um dia tão bonito como o de hoje. Aceitamos cada momento.  

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