sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Embodied Enlightenment in the "Real" World


Embodied Enlightenment in the "Real" World

These are some reflections about living as a fully realized Divine Human I recorded while driving peacefully through Portuguese countryside.



Written (the audio file is down below):

"Is it possible to be a fully realized Master and live a regular life without having to live out of society?


Yes, but with a high class challenge: to interact with 3D while living interdimensionally, creating our reality with access to all sorts of other realities, without the limitations of 3rd Dimension and with the regular challenges of leadership – being alone in a place where many times no one else around us is and nevertheless feeling comfortable, safe. Mastery is a lonely path.

Can anyone do it?

Yes, when the time comes, when one feels that calling, that’s the time and everyone has their own time. One does not need to be a fully realized Divine Human to be an example of Mastery. Mastery can be lived in a very simple way by being coherent, transparent, honest.

Being Fully Realized - Embodied Enlightenment


Being fully realized means that there is nothing to be said that hasn’t been said, nothing to be done that hasn’t been done, nothing to be accomplished that hasn’t been accomplished. It is a state of completeness. That’s being a fully realized Divine Human

It is having no issues to resolve, nothing hidden, it is to know exactly where we are each moment, to be totally Here and Now completely 100% of the time.

It is being fully responsible for our creations, it is creating in the moment and no longer being trigger driven at all, completely letting go of the fear mode. It’s being in another state of consciousness where it is not fear that determines our steps and so it’s not a question of courage, it’s just a question of response-ability - it is creating in the moment. 
There’s no question of positivity or negativity or having to take care of our thoughts, or having to redefine whatever. There is even no notion of harming, of competition or any of those things that define 3rd Dimension.

It is a state where death no longer defines life, so life is not dependent on the fear of death.

It is having no attachment to physical reality though being fully present in it, in order to create.

It’s releasing the Comfort Zone of being able to say “oh you know, I’m just another human so of course I make mistakes and do things and say things that I shouldn’t have done or said”, it’s releasing that need to have to have an excuse.

While in physical form there will always be limitations and there will always be challenges, that’s part of physical reality.

What goes away definitely is the effort, the struggle, the suffering, separation - those are fundamental illusions that disappear.

Being a fully realized Divine Human doesn’t mean that you can instantly cross walls or snap your fingers and things appear and disappear, instantly materializing anything you want. These are preconceived ideas we have created about it and those things are not… or levitate… those things are not necessarily important. What it means is that we relase all of the constraints of being in Human Form so it’s becoming One basically. There are no requirements, like you don’t become a magician, though you are.

Becoming fully realized then is a whole new process, it is also an evolutionary process. The process of evolution never stops and then it opens up a whole new range of extra-sensorial capacities of feeling capacities, but it does so gradually. It opens up new possiblities but it doesn’t open everything at once. It’s a process, it’s a learning process as well. It is a BE coming."

T. C. Aeelah

Audio:


sábado, 3 de fevereiro de 2018

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip/ Take 22 - FIM

Dia 21 - 2 de Setembro 


O Fim e o Início de um assentada só 


Acordo com uma sensação estranha, como se continuasse em movimento ainda que esteja deitada, aconchegada na cama, a habituar-me à ideia de que hoje é o dia de voltar para Tomar.

É como fazer o fluxo inverso do curso da água – em vez de ser o rio a escoar para o oceano, é o oceano a escoar para o rio – afunilando a imensidão do espaço e do tempo num caudal mais estreito.

Encarnar é isto mesmo – associar uma Alma ilimitada a um Corpo limitado, ainda que o centelha ínfima que incendeia o Humano com a dádiva da Vida, tenha exatamente as mesmas qualidades que o infinito no seu todo inconcebível.

O Pedro, que ao longo de todos estes dias foi consultando os mapas, ao ponto de eu o chamar carinhosamente de “Mapinhas”, hoje não tem mapas para consultar e sente-se estranho, mas tal como eu, muito feliz.

Finalmente sei porque é que muitas pessoas nunca se permitem tirar mais que uma semana, quanto muito duas de férias de cada vez. É que ficarmos fora da nossa realidade quotidiana amplia-nos a perspetiva, incendeia-nos a paixão pela vida e muda-nos ainda mais do que o tempo regular do dia-a-dia.

É certo que a coisa mais constante que existe é a mudança e que quando estamos entregues ao fluxo contínuo da Vida, sem resistir-lhe, cooperando com os momentos que ela nos traz da mesma forma que cooperamos com a Sabedoria da nossa Essência, fazendo escolhas que manifestam uma realidade plena de magia, tornamo-nos a própria mudança.

Mas a maioria das pessoas não vive assim. Vive presa aos seus mecanismos de sobrevivência cujas memórias de proteção geradas em milhares de momentos passados gerem cada passo, cada perspetiva, cada palavra.

Quando saímos o tempo suficiente da nossa realidade quotidiana ela vai-se esfumando e conseguimos realmente desapegar-nos do que parece certo e necessário, obrigatório e verdadeiro nesse contexto mais habitual. É nessa altura que questionamos os nossos costumes, pontos de vista e “obrigações” e em que se torna claro o que é preciso transformar para que possamos ser realmente felizes em cada dia, sem ter que esperar por férias. E mesmo que sejamos felizes já, vivendo em perfeita harmonia com as nossas vidas, encontramos sempre algo para transformar, ajustar e afinar, sempre que nos permitimos observar de fora, sem estarmos envolvidos no nosso filme diário.

Percebo agora que é isso que assusta os “adultos” e que faz com que prescindam de tirar muitos dias fora do seu mundo conhecido – a chamada “zona de conforto”. É o medo de realmente ver como vão as suas vidas e perceber o que há a mudar e saber que quando se voltar não vai dar para manter o status quo porque vai doer mais que nunca, uma vez que não se está adormecido no torpor do caminho hipnótico das conveniências habituais.

E, claro está, todas as mudanças têm consequências e a princípio desconfortam, principalmente por não se poder saber de antemão o seu resultado final. O curioso é que todos temos provas fortes e firmes nas nossas vidas de momentos em que seguimos a nossa intuição e implementámos mudanças necessárias, sempre para melhor, sempre sem exceção. Ainda assim a Mente analítica é exímia em produzir dúvida, impedindo a voz do coração de se fazer ouvir alto e bom som.

No meu caso em particular, uma vez que vivo poderia dizer-se “permanentemente fora da minha zona de conforto”, sempre disponível para os convites arrojados que a minha Essência me faz, a Mente entregue à voz da Alma, pois que não tenho qualquer outro propósito neste momento que não o de SER, o efeito destes 21 dias longe do meu dia-a-dia serviram para:

·          tornar muito claras as minhas escolhas para os próximos meses;
·         para espevitar ainda mais a minha criatividade;
·         para dar-me o impulso final para publicar o meu livro SER!... Amor – que entretanto ganhou o subtítulo “Para além da Ilusão”;
·         para aprender a ser ainda mais sustentável;
·         para experienciar novos níveis de liberdade;
·         para viver a harmonia constante de uma relação equilibrada masculino/feminino, em Amor pleno;
·         para materializar uma escolha que vinha fazendo há algum tempo, que era a de mergulhar na pura beleza deste planeta, apreciando a arte que nele habita, quer seja criada pela mão humana, quer seja uma dádiva da Natureza.

Quando me entreguei por completo a SER, finalmente livre dos padrões da consciência de massas, sem dramas na minha vida e implementando consistentemente uma realidade de completa bem-aventurança, cheguei a um ponto em que não há nada por realizar ou por dizer que não tenha sido feito ou dito e por isso poderia, se assim o escolhesse, retirar-me da vida quotidiana e viver serenamente num ermo, na pura paz de SER ou até mesmo partir da Terra, mas escolhi ficar e criar uma nova vida onde vivo o Divino na simplicidade de actos comuns, como trabalhar, interagir com todo o tipo de pessoas, manter uma casa, ter família, todas as coisas aparentemente normais, mas vividas de uma forma muito diferente.

Sou hoje um Humano Divino que vive uma vida normal de uma forma extra-ordinária e esta viagem foi um contínuo ressoar dessa consistência.

Sinto-me tão profundamente grata por absolutamente tudo na minha vida que até uma simples respiração, um simples momento de quietude, um toque, um olhar, um passo, um sorriso, uma lágrima, um nada, um simples ficar – me fazem transbordar de regozijo pelo precioso privilégio de Estar e Ser, Aqui e Agora.

***
Hoje é dia de arrumar o carro, lavar a pouca roupa que levámos, aterrar no quotidiano mas de forma amorosa e cuidada.

No início do ano comprámos um pacote de sessões de SPA num Hotel aqui perto e ainda nos resta uma, pelo que marcamos e vamos desfrutar da suavidade da água a massajar-nos o corpo e a alma.

Quando chegamos perguntamos se não é preciso assinar nada – sempre foi preciso assinar – mas não. A senhora que nos atende diz que não.

Quando saímos voltamos a perguntar se não é preciso assinar nada e voltamos a obter a mesma resposta.

Mais tarde acabamos por perceber que se calhar este é um presente da Vida. Sabes, um daqueles presentes que se recebe só porque se transborda de abundância.

Passados uns dias acabamos por confirmar que sim – foi um presente diria das nossas Almas, brincalhonas e alegres, sempre prontas a mostrar-nos o quão abundantes somos.

É que quando um mês mais tarde telefonamos para perguntar se o pacote acabou, ainda nos resta uma sessão!

Igualmente, o Pedro dá-se conta de que um dos parques de campismo em França e o quarto em Florença não foram descontados do cartão. Mas ambos os sítios têm todos os nossos dados de contacto bem como os dados de pagamento.

Ao fim de duas semanas é certo que não vão ser descontados esses valores, pelo que ganhámos 77€ + 20€ do SPA. O engraçado disto é o seguinte: tanto eu como o Pedro tínhamos dito inicialmente que iríamos usar 500€ cada um para esta viagem. Acabaram por ser 555€, mas com esta reviravolta acabámos por ficar mesmo mesmo na casa dos 500€ mais uns trocos 😊 É isto a materialização pura e simples da Escolha Consciente.

Agora que a viagem terminou e que sabemos o quão abundante foi, nem nós conseguimos explicar como usámos tão pouco dinheiro para 21 dias de Plenitude, passando por 4 países sem nos sentirmos limitados ou privados seja do que for.

É isto a sustentabilidade. Podermos usar a energia que nos serve com tanto respeito que sobra… aliás não acaba nunca, apenas assume formas diferentes.

Com o dinheiro que restou pudemos passar mais um fim de semana mágico na praia para celebrar o meu aniversário a 29 de setembro! Por isso poderia dizer-se que a Eco Trip ainda se estendeu por mais 3 dias, com um interregno de 3 semanas pelo meio 😉


O bolo lindo que a minha filha fez para mim :)




SPA num dos hotéis onde ficámos no fim de semana dos meus anos :)



Como me sinto :)




Unidos pela PAZ <3






Houve ainda mais uma grande mudança sustentável que decorreu da fabulosa Eco Trip. É que descobri que o meu corpo precisa de cada vez menos alimento pois alimenta-se cada vez mais do ar que respiro!

E aconteceu de uma forma bem gira.

O Pedro perguntou-me o que eu gostava que ele me oferecesse para os anos e eu escolhi logo um copo misturador daqueles que dão para fazer “Smoothies” cremosos com todo o tipo de frutas e legumes.

Então, no fim de semana do meu aniversário parámos em vários sítios para ver aparelhos desses e até consultámos lojas online. Depois de termos uma perspetiva ampla do assunto, calhou-nos em caminho passar pelo Jumbo na Figueira da Foz.

Estava lá uma máquina mesmo como eu queria e com 20€ de desconto até esse dia.

Decidimos levá-la.

Quando chegámos à caixa a senhora perguntou-nos se não quereríamos fazer o Cartão Jumbo pois teríamos mais 10% de desconto, o que, sendo o cartão gratuito, valia a pena. 

Então lá fomos ao balcão das informações fazer o cartão – e se há coisa que não quero é cartões!!! Mas escolhi fazê-lo agora para depois anular passado uns dias. 

Enfim, agora vem a melhor parte: a senhora deu-nos 2 talões de 5€ de desconto cada e que podiam os 2 ser usados nesse mesmo dia!!! Então o copo misturador acabou por ficar cerca de 40€ mais barato que o preço marcado de tal forma que quando a senhora disse o valor a pagar fiquei confusa, achando que ela se tinha enganado. Mas não. Este era claramente, mais um presente das nossas Almas! Hehehehehe

O resultado é que passei a beber muitas vezes – praticamente todos os dias - um bom sumo de frutas e/ou legumes e a sentir como o meu corpo fica feliz com isso. É uma leveza incrível e o meu nível de energia aumentou ainda mais. Aliás, quanto menos como mais energia tenho. E não sinto fome, nem gulodice, nem falta de nada. A gula desapareceu! E isso é uma grande grande liberdade.

Não sei como acontece, cientificamente, mas é um facto inegável que quanto mais entregues estamos a SER, quanto mais estamos conscientes da nossa Respiração e desfrutamos dela momento a momento, totalmente Presentes, mais ela nos alimenta de todas as formas e em todos os sentidos.

Este foi, para mim, o resultado mais significativo da Eco Trip – o meu próprio corpo tornar-se mais sustentável, cada vez mais próximo, mais entrelaçado com a Essência que o habita. Isto já vinha acontecendo há algum tempo, eu é que não tinha ainda percebido porque andava entretida com os afazeres do dia-a-dia, mas sair de tudo permitiu-me sentir-me tão próxima de mim, tão em Silêncio que caiu essa ficha!

Ah e com isto percebi que quando fazemos uma escolha consciente, não somos nós que definimos quando ela se materializa – ela ganha vida própria. É que eu tinha escolhido começar o processo de passar gradualmente a viver apenas do ar que respiro lá mais para os 60 ou 70 anos de idade, quando eventualmente tivesse uma vida social menos ativa, sem os filhos em casa, quando fosse menos estranho… mas tendo feito a escolha, ela começou a materializar-se bem mais cedo, no seu próprio momento certo, sem agenda.

Agora observo curiosamente essa escolha a ocorrer, sem limites ou limitações, ao seu próprio jeito. 

Não sei como, nem quero saber, apenas sinto e permito que ocorra momento a momento.

E assim é, meus amigos. Com isto termino esta partilha de 21 dias e mais uns quantos... e afirmo que a Vida nos reflete sempre e de todas as formas, pois somos Um com Ela, que é o mesmo que dizer que somos Um com Deus, que é igual a constatar que Somos a Vida em si mesma e o que ocorre "nela" é apenas Ela/ Deus acontecendo - Deus, a Vida, Eu, Tu, é tudo Uma e a mesma "coisa" experienciada no contexto de todas as "coisas".




Adorei estar contigo ao longo destes meses em que fui passando “para o papel” os sentires que me incubam as palavras – mais precisamente 5 meses – foi o tempo terreno que esta janela para um agosto diferente levou a verter o seu pó de fada nos meus dedos para que as teclas do computador pudessem refletir alguns apontamentos que acabaram por eternizar-se, mostrando assim que cada momento é muito maior que o Tempo que parece ter.

Obrigada por leres e sentires comigo <3


Um Abraço com Amor e até já


T. C. Aeelah


Um presente de aniversário que recebi um mês depois, e que esperava por mim na minha secretária, quando um dia cheguei ao trabalho, preparado com carinho por uma colega e amiga de longa data <3

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Poder da Escolha Consciente - Eco Trip / Take 21

Dia 20 – 1 de Setembro

de volta a Portugal, com o coração cheio


O harmonioso chilrear dos pássaros acorda-nos devagar, conforme o parque de campismo começa a despertar para um novo fim de semana em que os miúdos queimam os últimos cartuchos antes do início do ano escolar.

Este parque tem piscina, muitas árvores e muitas famílias, pelo que haverá decerto muitas boas amizades travadas ao longo de intermináveis verões saboreados debaixo deste pedaço de céu.

O nosso dia vai começar com a visita a Hervás – mais um daqueles lugares inesperados que o próprio caminho nos indicou sem pré-aviso.

Sinto-me aconchegada, hoje, e escolho abraçar confortavelmente a doce suavidade da minha Essência com cada respiração que tomo. Hummm! É como estar mergulhada num lago sereno e morno, onde posso flutuar sem medo de me perder, pois vá para onde for, estou sempre em Casa.

E agora Hervás. É um vilarejo judio situado na Estremadura espanhola e tal como muitos outros lugares por onde passámos até agora, é especial.

As construções são sui generis, principalmente porque nunca tinha visto uma vila judia. Aqui em Tomar temos uma rua, mas uma vila inteira é outra coisa.




O engraçado é que as casas não seguem nenhuma regra arquitetónica, sendo algumas bem estreitas e com tijolo à vista, outras com madeira, todas de tamanhos e alturas diferentes e até mesmo as portas e janelas diferem.

Pelo meio da vila sobe-se até uma ermida de onde se avista toda a paisagem envolvente e ficamos por ali a apreciar a natureza e os telhados, como se fosse um bolo de diversas camadas, todas elas deliciosas.



Uma senhora passeia o seu gato. Sim, o seu gato, leste bem. Imagina que ela está convencida que o gato lhe há-de obedecer, como se fosse um cão, mas os planos do felino são outros. Ela vai-se arreliando, dizendo “Vien, vien aqui…” e o gato faz ouvidos de mercador. Demora-se, cheira aqui e ali, sobe o muro devagarinho, desce, ignora-a e depois lá vai indo, no seu próprio passo descontraído, altivo e misterioso. Quase que se consegue ouvir o gargalhar de gozo do bichano! Imagino o que será este filme todos os dias. A senhora a “pastar” o gato e o gato nas tintas para ela. Fica-nos na memória este momento de comédia ao vivo.


Há por aqui muitos gatos, aliás. Nos telhados, à janela, nas soleiras das portas… a condizer com a calmaria do lugarejo.



Muitas das casas são residências de férias, como naquelas aldeias transmontanas que já ninguém quer habitar mas que têm casas lindas recuperadas por veraneantes que depois as alugam também durante o resto do ano aos turistas.

Em tempos terá havido escola, o riso das crianças a brincar na rua, o corrupio do dia-a-dia, mas agora são os restaurantes e cafés que se abastecem para mais um fim de semana movimentado.

Passamos por um mini-mercado com uns tomates tão vermelhinhos que nos fazem arregalar os olhos, mas não compramos… ainda.

Depois do nosso passeio ocioso ao redor de toda a vila, decidimos voltar à procura dos tomates, mas já não encontro os mesmos. Ainda assim é este que vai ser o nosso repasto, com azeite e um pão tradicional fresco que compramos numa padaria cuja proprietária é tão querida que o pão só pode saber a Amor.

De volta ao campismo tratamos do nosso “mata-bicho” e depois ainda vamos dar um mergulho na piscina antes de arrumarmos tudo nas calmas para seguir para Portugal que está agora tão próximo.

Hoje estamos com vontade de demorar o regresso, pois ao cabo de tantos dias nesta vida livre não sabemos se realmente nos apetece voltar.

Rumamos a Monsanto e no caminho o Pedro leva-me ao Parque Iconológico de Penha Garcia onde descemos o monte de pedra em pedra até chegar à Fonte do Pego – uma piscina natural que é uma bênção dos Deuses neste dia quente de início de setembro.


Não há por ali ninguém, tal como gostamos. É hora do almoço, mas como nós não temos horas conseguimos apanhar o lugar mesmo ao nosso jeito.

Tomamos um bom banho fresco que nos sabe a SPA de luxo e depois ficamos algum tempo a secar ao sol para podermos tornar a vestir-nos.




No caminho de volta para o carro aparece-nos o senhor que toma conta dos Moinhos que se encontram encosta acima e temos o privilégio de poder apreciar os fósseis e de poder ver o moinho em funcionamento, recordando como vivia o moleiro com a sua família em tempos idos.

Este senhor trabalha aqui a tempo inteiro e diz que agora no verão não tem mãos a medir, mas nós ainda estamos numa hora em que aparece pouca gente. “A maioria vem lá mais para as 4 horas”, diz-nos ele.

Está feliz porque pôde deixar o trabalho que chegou a ter fora da vila para poder voltar para aqui e fazer algo que realmente o inspira. Afinal até nos lugares mais remotos há empregos e este senhor gosta também das suas horas de inverno em que passa muito tempo sozinho à lareira.

Agradecemos-lhe muito pela gentileza da sua visita guiada e vamos indo para Monsanto – a vila mais portuguesa de Portugal.




Não me lembro de ter visitado este lugar histórico antes. E adoro. Subimos pelas ruas empedradas, mas depois há mais um grande esticão até ao miradouro mais cimeiro da vila. Escolho ficar “cá mais em baixo” (ainda que já bem lá no alto), mirando por entre as pedras e depois sento-me num pedregulho arredondado e confortável à espera do Pedro.





Passa muita gente a subir e a descer. Alguns fazem como eu e ficam no sopé do miradouro. É isto que acontece com um casal cuja senhora sobe, sobe e o marido atrás dela resmunga e diz que vai voltar para o carro e que ela tem 15 minutos para subir e voltar a descer senão ele vai-se embora sem ela.

Ela, por sua vez, deve estar habituada porque pouco ou nada lhe liga, continuando a subir como se nada fosse.

Ele começa a descer, a bufar e a sua zanga momentânea esfuma-se quando é interpelado por uma senhora estrangeira muito tagarela que lhe pede para por favor lhe tirar uma fotografia.

Ele, sendo um homem que não gosta de ficar mal visto, acede e faz o seu melhor, pedindo à senhora que se desvie mais um pouco para aqui e para ali para ficar mais enquadrada.

Nisto a senhora pergunta-lhe se ele não vai subir e ele, encabulado, lá responde que a mulher dele já foi andando mas que ele estava com o estômago cheio por isso demora mais um pouco. A senhora estrangeira diz “temos que nos opor, vá vamos continuar a subir que isto não custa nada” e ele, para não dar parte fraca, lá vai atrás dela, como se nada fosse. Imagino a vontade de rir que a mulher dele terá quando o vir a chegar lá acima todo vermelho e cansado… tendo acabado afinal por seguir os seus passos.

Enfim, os jogos que as pessoas fazem no quotidiano dos seus relacionamentos é tão cómico quando visto de fora, com simplicidade.

Realmente grande parte das vivências diárias são mesmo geridas pelas “crianças” e “adolescentes” que cada um tem presos dentro de si, fruto das memórias retidas ao longo dos anos, mantidas no seu sítio para proteção – não vá o diabo tecê-las e o “mundo” querer atacar-nos!

Sabe-me tão bem este tempinho aqui quieta, a sentir a paz da pedra onde estou sentada. As pedras são muito pacíficas. É como a quietude das árvores, ainda que estas últimas não sejam inanimadas. Tudo na natureza tem a sua serenidade própria e sinto o Espírito de e em todas as coisas.


Depois de apreciarmos todos os recantos de Monsanto, mais uma vez o Pedro leva-me a um sítio onde já esteve antes – a Capela de S. Pedro de Vir a Corça. É um lugar realmente mágico. Tem uma capela do tempo dos Templários e o silêncio aqui é absoluto.


Assim, plácidos e embevecidos por este retiro aos pés de Monsanto, aproveitamos para o nosso último lanche antes de chegar a casa.

Enquanto isso chega uma moça com o seu filho de cerca de 5 anos e um bebé. Ela possivelmente não esperava encontrar aqui ninguém, mas somos sossegados tal como ela.

O menino tem uma bola para brincar com a mãe e o som da criança feliz faz-nos sorrir.

A Vida é realmente muito bonita e abundante.

Quando arrancarmos daqui sabemos que a próxima paragem é a casa do Pedro – à minha só chego só amanhã.

O nosso coração de Índios podia viver assim sempre, livre de compromissos e com os depósitos de criatividade plenos a transbordar de Alegria, Gratidão, Amor e Harmonia. Mas não. Pelo menos para já há coisas a fazer, coisas da vida prática que nos requerem e que com a mesma Gratidão vamos abraçar.

Foi a primeira vez que estive tantos dias longe da minha filha e apetece-me abraçá-la ainda que não sinta saudades. Não sei já o que são saudades porque não me sinto triste na ausência de alguém por estar com o coração tão cheio de Ser sempre. Também vou poder abraçar o meu filho em breve e vou igualmente adorar.

É tão bom amar sem saudade e poder desfrutar da alegria do reencontro com a intensidade do Agora, sabendo que mesmo na nossa ausência os nossos filhos estão bem entregues e que a Vida tem por eles o mesmo carinho com que nos nutre a nós todos os dias, quando lhe permitimos chegar perto e beijar a nossa face.

Chegamos a casa já a anoitecer, prontos para dormir na cama do Pedro, super confortáveis e com este borbulhar transbordante de beleza a escoar por todos os poros, sem sabermos como conter tanto, tanto, tanto que recebemos ao longo destes 20 dias absolutamente maravilhosos.